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Mercado da arte tem um balanço prévio
Rachel Rubin
Este ano está sendo controverso para o investidor
de artes plásticas. Vários eventos ocorreram em todo
o País e de forma mais intensa do que em 2000, o que
agitou o mercado das artes, diz o consultor João Carlos
dos Santos, que escreveu um manual sobre esse tipo
de investimento. Mas, ao mesmo tempo, alerta, os artistas
novos tiveram dificuldade de vender suas obras. O
momento é de estagnação: "o mercado também sofreu
os efeitos colaterais das crises externas", diz ele.
Ainda há outros leilões marcados até
o fim do ano, mas já dá para ter uma idéia de como
foi 2001. A Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, que é
a maior referência do mercado de arte no Brasil, realizou
dois grandes leilões no Copacabana Palace Hotel, no
Rio. Segundo Santos, lá estavam os mais importantes
investidores, marchands e colecionadores de todo o
País. O leilão do primeiro semestre foi bom; já o
segundo, marcado para o fatídico dia 11 de setembro,
teve que ser adiado alguns dias e não chegou a repetir
o mesmo sucesso do anterior.
Ele usa como parâmetro de comparação
o comportamento histórico do mercado da arte: no começo
do ano, costuma ser fraco, mas vai crescendo até maio,
um dos melhores meses de vendas. Em julho, cai um
pouco, até ter uma tendência de alta entre agosto
e setembro. "Esse ano, setembro foi um mês atipicamente
fraco, por conta do terrorismo. Apesar de não poder
precisar em números, percebi isso porque os leilões
estavam mais vazios e muitas obras foram vendidas
por quantias abaixo da expectativa".
Mas alguns eventos recentes foram
melhor sucedidos, como o da Pró-Arte Galeria,
em São Paulo. Segundo Marcelo Felmanas, diretor da
Pró-Arte, em outubro, 90% das obras colocadas em leilão
- entre coleções de marfim, tapeçaria e obras de Clodomiro
Amazonas - foram arrematadas. Muitas vezes, por valores
até 100% superiores aos dos lances mínimos. "Muita
gente endividada quis vender as obras que tinha em
casa. Isso acabou incentivando o mercado secundário,
promovendo a liquidez, que é considerada baixa", explica
Felmanas.
Só que Santos acredita que, para quem
tem dinheiro disponível, é hora de comprar, pois as
obras de arte estão baratas. Por isso, não seria uma
boa hora para vendê-las, no caso de quem já as possui.
Felmanas concorda que os preços das obras estão mais
baixos, se levadas em consideração suas cotações em
dólar.
Nas aquisições das obras, mesmo quando
o objetivo é só decorar ambientes, há sempre possibilidades
de lucro, dizem os especialistas. "Temos artistas
nacionais excelentes, promissores e com obras a preços
acessíveis. Mas a escolha deve ser orientada por um
especialista do mercado e é bom ter em mente que arte
não proporciona lucros de imediato: nesse mercado,
além de paciência, é importante ter sensibilidade",
diz Santos.
A melhora do cenário econômico é importante,
mas o mercado da arte depende de outros fatores para
deslanchar. Um deles é aumentar o número de marchands,
profissionais que divulgam e promovem o mercado. Outro
é aprimorar as informações sobre o próprio mercado,
o que pode ser conseguido pela internet. "Muitas casas
de leilão ofereceram catálogos online, o que possibilitou
uma acirrada disputa. De um lado, estava o público
presente nos pregões, e do outro, estavam os que davam
lances pelo telefone ou deixavam propostas prévias
pela internet", conta Santos.
O conteúdo do manual sobre o mercado
da arte está disponível no site (
www.consultarte.com.br
Fonte: Valor Econômico
14/11/2001
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