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Museu de Arte Sacra expõe azulejos antigos

Foi na adolescência que surgiu a paixão de Valdir Ruenda Martins por juntar coisas. Gostava de fotografar casas antigas e sempre pedia um azulejo ou uma pedaço do piso quando via uma demolição. Mais de 15 anos depois, parte de seu acervo — 154 peças — pode ser conhecida na exposição Azulejos, Pisos, Telhas e Janelas Antigas, que o Museu de Arte Sacra de Santos abriga até o dia 15 de novembro.

Entre as raridades estão azulejos portugueses Costa & Devezas, pintados a mão, e outros da Alemanha, com filetes de ouro; da Bélgica, França, Holanda, Bolívia, pertencentes a antigos casarões da Baixada Santista.

Na mostra podem ser vistos azulejos portugueses de 1844, catalogados, da Costa & Devezas, de casarões da Rua Brás Cubas. Outras peças interessantes são telhas francesas, de Marselha. ‘‘No auge do café, não tinha gente fabricando no Brasil, e elas vinham da França’’, explica Martins.

Raras janelas de canela rosa do Vale do Ribeira, com mais de 250 anos de existência, e pisos antigos também são exibidos. ‘‘Colecionei piso de mais de 50 casarões da época do café. Tenho até piso vermelho em formato de onda de pó de mármore, datado de 1836, e que pertenceu à antiga Santa Casa’’.

Martins lembra que, aos 16 anos, quando estudava violino, se apresentava com um conjunto em casas antigas, e seus olhos não paravam de observar o piso, a janela, o azulejo das construções. A partir daí começou a sua coleção.

Parte dela o público pode conferir no Museu de Arte Sacra. A exposição está dividida em painéis, segundo a cor, espessura, origem e tipo das peças. Segundo Martins, a mostra revela a riqueza que Santos possuía. ‘‘Mostra a arquitetura de uma época, como viviam as pessoas, e alerta a população para a demolição desenfreada. São peças boas, mas quebram tudo durante as obras’’.

Pesquisa — Para saber a origem das peças, o pesquisador foi aos livros e se orgulha de possuir em seu acervo azulejos catalogados. ‘‘Tenho oito azulejos da Costa & Devezas’’.

No acervo chamam a atenção azulejos filetados a ouro, que ornamentavam a cozinha de um antigo casarão próximo ao Cemitério do Paquetá. ‘‘Nunca comprei nada. Sempre ganho’’. Os amigos, conta, também ajudam a aumentar a coleção. Sempre que viajam, trazem algum de presente.

Muito bem protegidas, as peças ficam embrulhadas uma a uma em caixas. ‘‘Tenho também tijolos. Eu pego primeiro, depois vou pensar no que vou fazer. Tenho coisa guardada até embaixo da cama. Recentemente peguei no chão cinco azulejos, brancos e amarelos, do Hotel Leiria’’.

A maioria dos azulejos utilizados até a primeira metade do século 20 era originária de Portugal. Só por volta de 1950 é que a Matarazzo começou a fabricação, imitando os portugueses.

Segundo o pesquisador, uma idéia para conter a demolição indiscriminada de casarões construídos antes de 1940 seria a exigência, por parte da Prefeitura, de fotografias do imóvel. ‘‘Assim, antes de demolir, daria pra ver se dá pra recuperar alguma coisa’’.

Martins foi diretor do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, trabalhou na Secretaria da Cultura da Prefeitura de São Vicente e atualmente presta serviços no Centro de Documentação da Baixada Santista, na Universidade Católica de Santos.

Apaixonado por História e por sua coleção, não pensa em se desfazer dela por nada. ‘‘Não venderia nunca esses azulejos. Foi difícil conseguir esse acervo’’.

Fonte: A tribuna Digital
24/10/2001