|
Suspenso do Rio, Guggenheim parte para Ásia
Ubiratan A.Miranda/Brasília e AP/Stephan Grauwels
Enquanto o Rio entra no Superior Tribunal de Justiça
(STJ) para conseguir o seu Guggenheim, a Fundação
inicia o processo de construção do primeiro museu
na Ásia
São Paulo - Enquanto o Rio entra no Superior Tribunal de
Justiça (STJ) com pedido de reforma da liminar concedida
pela Justiça estadual, que suspendeu os efeitos do contrato
para a instalação de um Museu Guggenheim na cidade,
a Fundação Guggenheim investe na construção
do primeiro Guggenheim da Ásia. A Fundação
Guggenheim anunciou ontem que decidirá em setembro, se vai
abrir uma filial de seus museus em Taiwan, na cidade de Taichung,
mas ainda não definiu o local. O prefeito de Taichung, Jason
Hu, quer que a cidade entre no cenário internacional das
artes, além de defender que o museu incrementaria o turismo
local e assim combate as críticas de que o custo de US$ 174
milhões seja alto demais para ter um Guggenheim. Ele lidera
as negociações com o diretor-executivo da Fundação
Thomas Krens, que inclusive já indicou o arquiteto Frank
Gehry e o francês Jean Nouvel - o mesmo que assina o projeto
do Guggenheim no Rio, para executarem o projeto de um complexo arquitetônico.
O arquiteto Zaha Hadid, residente em Londres, apresentou sua proposta
para o museu.
No Rio de Janeiro, a liminar que suspende a construção
de um museu Guggenheim na cidade foi concedida em uma ação
popular em abril deste ano.
Segundo a Prefeitura do Rio, a manutenção da liminar
causa "grave comprometimento e perturbação da
ordem, economia e segurança pública municipais."
De acordo com a Prefeitura do Rio, a construção de
um museu municipal de repercussão internacional como o Guggenheim
"é ponto estratégico no projeto de revitalização
do centro da cidade e de incremento do fluxo turístico".
A prefeitura desapropriou, em 2003, parte significativa de área
considerada não portuária, com a perspectiva de construir
um museu integrado ao circuito internacional de exposição
de obras de arte. O museu deve custar R$ 360 milhões aos
cofres públicos do Rio e será projetado pelo arquiteto
francês Jean Nouvel, que deve receber R$ 40 milhões,
de acordo com o município.
O contrato suspenso pela liminar do TJ-RJ é o de licenciamento
e acesso a acervos e exposições de três museus
e apoio curatorial, incluindo o acompanhamento das obras, assinado
com a Fundação Solomon Guggenheim (FSG), em Nova York,
no valor de R$ 92 milhões. Para o município, "a
suspensão dos efeitos do contrato com a FSG praticamente
inviabiliza o projeto desenhado para revitalização
do centro da cidade e dinamização do turismo".
A contratação da fundação, segundo
a Prefeitura do Rio, assegura a qualidade do Museu Municipal da
cidade, garantindo-lhe acesso a acervos e exposições
dos museus Guggenheim de Nova York, Hermitage de São Petersburgo,
considerado o mais importante acervo de artes plásticas do
mundo e Kunshistorische de Viena, que reúne a coleção
dos Habsburgo.
Jornal Estadão
24/07/2003
|