NOTÍCIAS
 
Argentina inaugura museu de arte latino-americana
Ariel Palacio

Quando hoje o presidente Fernando De la Rúa cortar a faixa de inauguração, o Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (Malba) abrirá suas portas oficialmente, e assim, o mundo terá o primeiro museu dedicado exclusivamente à arte da América Latina.

As 220 peças que compõem o acervo do Malba – com o valor calculado em US$ 50 milhões - foram procuradas como pérolas raras durante duas décadas pelo colecionador e financista argentino Eduardo Costantini, dono da Consultatio. "Gosto de tudo que é nota ‘A’ na arte latino-americana", costuma dizer.

O edifício do Malba é o primeiro em Buenos Aires criado desde o início para hospedar um museu, e está localizado em uma das áreas mais nobres de Buenos Aires: na esquina da aristocrática avenida Figueroa Alcorta e da não menos elegante calle San Martín de Tours. O custo do metro quadrado do museu foi de US$ 3 mil.

"Queremos, desde uma porção da América Latina, redefinir o que somos", declarou o diretor do museu, Augustín Arteaga na véspera da inauguração. Além do acervo, a intenção é que o próprio Malba – que passou por uma polêmica construção – "torne-se no novo referente urbano".

Entre os filhos diletos do novo museu estão símbolos da arte brasileira do século XX, como o Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral e Festa de São João (1936-39), de Cândido Portinari. Além deles, há quadros de Cícero Dias (Crianças brincando e o adeus, de 1930), de Emiliano Di Cavalcanti (Mulheres de Pescadores, de 1938) e Lygia Clark (série Bichos, de 1960). Entre as outras estrelas do museu estão Auto-retrato com Macaco e Papagaio, da mexicana Frida Kahlo (1942), pelo qual pagou em 1996 o maior preço oferecido por uma obra latino-americana até esse momento: US$ 3,2 milhões. Além disso, o MALBA possui várias obras do argentino Xul Solar, do uruguaio Pedro Figari e do mexicano Diego Rivera.

Uma das estrelas do setor argentino é Manifestação, de Antonio Berni. Sentimentalmente, não foi fácil para Costantini livrar-se do contato cotidiano de suas obras. "Ver os quadros no museu é como quando um filho sai de casa e vai morar sozinho", diz. Costantini, que nos anos 70 vendia coletes de fio que transportava em um modestíssimo Citröen, tornou-se nos anos 80 em um dos principais financistas do país. Rapidamente, começou a comprar obras de arte latino-americana, até formar sua coleção. Costantini ficou famoso no Brasil quando adquiriu o Abaporu – peça emblemática do modernismo - por US$ 1,3 milhão, na época, o preço mais elevado pago por uma obra brasileira em toda a História.

Por Mulheres com frutas, de Emiliano Di Cavalcanti, o financista argentino desembolsou US$ 650 mil. A verdadeira paixão de Costantini, no entanto, é o Antropofagia, de Tarsila. "Esse quadro é espetacular", disse tempos atrás ao Estado.

O Malba nasceu com uma atarefada agenda para seus primeiros meses de vida: até o fim do ano estão programadas exposições de obras de Lasar Segall e Roy Lichtenstein. Além disso, existem projetos em comum com o museu Rainha Sofia, da Espanha, e o museu Andy Wharol, dos EUA. Os curiosos que não puderem ir até o Malba poderão consultar seu site na internet: www.malba.org.ar.

Fonte: Jornao Estadão
20/09/2001