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Pinacoteca: revitalização contou com apoio público e privado
Fernando Oliva

São Paulo - Em 1995, durante exposição do mestre francês Auguste Rodin, Emanoel Araújo estava em sua sala de diretor da Pinacoteca, quando pela janela viu o ministro da Cultura, Francisco Weffort, na Avenida Tiradentes, indo para o museu. "Fui falar com ele, mostrei quanto nossas instalações eram precárias e como precisávamos de apoio do governo federal", lembra Emanoel. Mais uma vez, seu carisma sensibilizou o poder público: meses depois, o Ministério da Cultura se comprometeu a colaborar com a reforma. Ao final, em março de 98, havia entrado com R$ 4 milhões. O Estado, por sua vez, forneceu R$ 6 milhões para a realização do projeto de Paulo Mendes da Rocha.

Emanoel conquistou o apoio da iniciativa privada. Em sua gestão, o Banco Safra, incluindo todos os patrocínios, as doações de obras e realização de livros participou com US$ 5 milhões. Outras contribuições de peso foram da Telefônica, Volkswagen, C&W do Brasil e McCann-Erickson. "Parece que há um lado que foi obra do destino", disse Emanoel, enquanto esvaziava a sala que ocupou por dez anos, como diretor da Pinacoteca. No domingo, ele entrega o cargo a Marcelo Araújo.

O sr. fala em sair há pelo menos quatro anos. Por que agora se decidiu?

Emanoel Araújo - Resolvi sair porque não pode existir essa coisa autoritária em uma instituição cultural. É preciso que o museu se renove por meio de outras pessoas, olhares e gestões.

Como o sr. vê o futuro da Pinacoteca?

É claro que a política que eu implantei é passível de mudança e é muito bom que isso aconteça, que a Pinacoteca se renove. Eu fiquei aqui esse tempo todo para garantir que as mudanças se consolidassem.


Quais foram as principais conquistas da sua gestão?

A credibilidade, que se manifesta em três vertentes. Primeiro, em relação ao público, que vem ao museu e é recompensado esteticamente. A confiança na Pinacoteca resvala também na iniciativa privada, que financiou a instituição. Por fim, no âmbito internacional, quando profissionais ligados a museus do Exterior vêm ao Brasil e se mostram familiarizados com a Pinacoteca.

Grande parte das vitórias da Pinacoteca se deve à sua personalidade, carismática e conciliadora. Como vai ser daqui para a frente?


Esse meu jeito serviu para o começo, que foi árduo. Foi preciso conquistar a confiança dos governos, dos empresários, do público. De agora em diante, deve surgir outro tipo de ação, na linha social e de conquista de parceiros fiéis.

Qual a vocação da Pinacoteca?


O museu deveria estender seus tentáculos sobre a Luz, atacar o entorno do bairro. São Paulo precisa refletir sobre sua arquitetura e sua humanização e a Pinacoteca pode ter papel fundamental no processo de construção de uma nova cidade, que respeite seus emblemas.


Fonte: Jornal Estadão
22/01/2002