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A emoção de Antonio Henrique Amaral
Daniela Name

Depois de criticar o governo militar durante a ditadura
com sua imensa série “Bananas” (1968-1975) e de mergulhar
na violência urbana nos trabalhos dos anos 90, o pintor
Antonio Henrique Amaral derrama no papel não o que
vê, mas o que sente. Na exposição “Divertimentos (trabalhos)
recentes”, em cartaz na Galeria Marcia Barrozo do
Amaral, em Copacabana, o artista apresenta obras sobre
papel que, segundo ele, traduzem estados emocionais.
— Os desenhos são o avesso de uma obra conceitual,
porque começo a fazê-los sem qualquer planejamento
— diz o artista. — Não há esboço, nem objetos para
ilustrar um conceito. Fiquei sabendo o que ia fazer
durante o processo, o que é muito arriscado. Mas este
risco faz parte do imenso divertimento que vem do
improviso.
“Bananas” começou com a Operação Bandeirantes
Nascido em São Paulo, em 1935, Amaral começou a carreira
no fim dos anos 50 — a primeira individual aconteceu
em 1958. Mas foi na década seguinte, durante os anos
mais difíceis da ditadura militar, que transformou
sua pintura numa série de comentários sarcásticos
sobre a situação política e social do país. A série
“Bananas”, por exemplo, explodiu junto com a Operação
Bandeirantes.
— Era uma crítica dura a tudo que estávamos vivendo
— lembra Henrique. — Nós todos éramos tratados como
bananas pelos militares, estávamos sendo maltratados
e banalizados.
Segundo o artista, quem for à exposição na Marcia
Barrozo vai conhecer uma outra faceta de sua obra:
— Todo artista é cheio de contradições e possibilidades.
Com “Divertimentos”, percebi que nem sempre precisava
comentar algo, bastava conseguir expor um pouco do
meu universo emocional.
ANTONIO HENRIQUE AMARAL, ‘DIVERTIMENTOS (TRABALHOS)
RECENTES’ Marcia Barrozo do Amaral Galeria de
Arte — Shopping Cassino Atllântico (Av. Atlântica
4.240, Copacabana — 2267-3747. De ter a sex, das 10h
às 18h, e sáb, das 12h às 18h. Entrada franca. Até
23 de novembro.
Fonte: OGlobo.com
30/10/2001
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