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Alex Flemming expõe corpos no CCBB
Depois de cinco anos sem expôr
no Brasil, o artista plático que vive
em Berlim há dez anos, traz de lá
sua série Body Builders, uma ode ao corpo
humano
São Paulo - Depois de cinco
anos sem expor no Brasil, o artista plástico
paulistano Alex Flemming expõe a partir
deste sábado às 11 horas, no Centro
Cultural Banco do Brasil. Alex Flemming - Corpo
Coletivo tem curadoria da arte-educadora Ana
Mae Barbosa e traz as obras da série
inédita Body Builders (fisiculturistas),
desenvolvida na Alemanha, onde o artista vive
há mais de dez anos.
"Essa exposição
é uma ode ao corpo humano. O corpo é
o princípio e o fim de qualquer atividade,
só com ele conseguimos desfrutar o universo",
explica Flemming, que utiliza esse tema desde
o início de sua produção,
em 1978.
O filé dessa mostra, como
o próprio artista e a curadora definem,
é a série Body Builders, que estará
montada no segundo andar do CCBB. São
obras de grandes dimensões. "Presenciei
várias cenas envolvendo refugiados desde
que me mudei para Berlim e acredito ser este
o retrato do mundo no 3.º milênio",
diz o artista. As fotos mostram partes de corpos
de atletas, bailarinos ou nadadores. Sobre elas,
por meio de computador, são colocadas
cores "completamente berrantes e sedutoras"
e mapas de regiões de guerras atuais,
como Chiapas e Bósnia, impressos na pele
como tatuagem.
"Com isso eu quero discutir
os limites do corpo, os limites da filosofia
e das religiões. Minha obra é
um alerta, um apelo para que as pessoas mudem
essas fronterias", diz Flemming.
Flemming ainda escreve com tinta
acrílica sobre as fotografias, às
vezes formando caracóis, ou contornando
os corpos. São letras de músicas
de Villa-Lobos, Roberto Carlos, Rita Lee e Renato
Russo, trechos de livros de geografia ou de
sua própria autoria.
"O importante é o
impacto visual das letras. Eu quero que o público
pense, pois, às vezes, ele vai identificar
o Roberto Carlos mas não o Villa-Lobos."
Outra série que estará
exposta é Corpo Ausência, formada
por poltronas pintadas com tinta automotiva
com notícias engraçadas tiradas
de jornais de algumas cidades do Brasil. Além
dessas duas séries, também fazem
parte da mostra as três telas com Iemanjá,
São Jorge e São Miguel Arcanjo;
a série Natureza-Morta, de 1978, que
denuncia a tortura aos presos políticos
no Brasil; a série Cabeças; fotolitos
de 1982 sobre nudez masculina e feminina, e
a série Alturas, que o artista expôs
em 1996, no Masp.
Pelo menos duas obras desta exposição
o visitante poderá reconhecer, pois estão
nos painéis fotográficos do artista
da estação Sumaré do Metrô
de São Paulo: um homem branco e uma mulher
negra.
Na estação, as paredes
são de vidro blindado, dão uma
vista panorâmica do bairro, e serviram
de base para o trabalho de Flemming, que homenageia
a diversidade étnica dos moradores da
cidade. São 44 fotografias, ampliadas
e aplicadas sobre o vidro. Nos retratos, trechos
de poesias que cobrem cinco séculos de
produção de escritores brasileiros
- de José de Anchieta a Haroldo de Campos.
Alex Flemming - Corpo Coletivo
- Até dia 2 de setembro. De terça
a domingo, das 12h às 18h30. Centro Cultural
Banco do Brasil. Rua Alvares Penteado, 112 -
centro - (0xx11) 3113.3652
Fonte: Jornal Estadão
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