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Arte de Aldemir Martins ganha o metrô
Camila Molina
São Paulo - Sexta-feira foi o aniversário de 80 anos
do artista cearense Aldemir Martins. Para tal ocasião, foi
preparada uma dupla-homenagem: a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos
(CPTM), o Metrô e o Grupo Santander Banespa inauguraram uma
exposição itinerante com 70 gravuras dele, que primeiro
fica em cartaz na Estação Brás das duas companhias
de transporte coletivo; depois, no começo de dezembro, vai
à Estação Sé; passa, no mês de
janeiro, na Estação Largo Treze da CPTM; e, por fim,
chega a uma agência do Banespa ainda não definida.
A mostra tem curadoria de Umberto Mateus. A outra homenagem é
a da Galeria Augôsto Augusta, que abriu anteontem uma exposição
com obras de Aldemir Martins, Tuneu e Jean Emile.
Nas duas mostras, o que se pode perceber são os temas sempre
tratados pelo artista - paisagens, flores, flores e vasos, frutas,
mulheres, pássaros, peixes, e a tão recorrente figura
do gato, entre outros - e sua grande relação com as
cores fortes, apesar de sua preferência se restringir ao vermelho,
preto e branco. Nascido na cidade de Ingazeiras, Vale do Cariri,
Martins dedicou mais de 50 anos de sua vida à carreira artística.
Desenhando desde menino, foi somente no início da década
de 40 que Aldemir Martins iniciou sua trajetória. Talvez
o marco seja a criação da Sociedade Cearense de Artistas
Plásticos, em 1941, com o ideal de renovar o ambiente artístico
cearense, iniciativa acompanhada por Mário Barata, Barbosa
Leite e Antonio Bandeira, entre outros. No ano seguinte, em 1942,
Martins mostrou pela primeira vez suas criações, quando
participou do 2.º Salão de Pintura do Ceará.
Ao mesmo tempo, fez também ilustrações para
jornais, mudou-se para o Rio e somente em 1946 fez sua primeira
exposição individual, em São Paulo, onde vive
até hoje, no bairro de Perdizes.
Sobre o reconhecimento como artista, pode-se destacar o Prêmio
de Desenho Dona Olívia Guedes Penteado, que Aldemir Martins
recebeu na 1.ª Bienal de São Paulo, em 1951. E cinco
anos mais tarde, ganhou o prêmio mais importante de sua vida,
ou seja, foi o escolhido pela Bienal de Veneza para ganhar o Prêmio
Internacional de Desenho. Desde então, não parou mais
e atualmente continua pintando suas telas em seu ateliê.
Sobre seu processo de trabalho, Aldemir Martins conta, em entrevista
ao jornal Artes, que às vezes, olhando para o chão,
a "idéia está desenhada, pintada, refletida."
Brincando, diz que "fazer pintura é muito fácil"
e continua atestando: "O desenho derrota mais, o desenho me
humilha." Ainda de seu processo, Aldemir Martins tem o costume
de anotar futuras criações em pedaços de papel.
"Tenho uma caixa de charutos cheia de papéis anotados.
O dia em que conseguir fazer a metade do que está ali, serei
um homem rico", brinca novamente.
Aldemir Martins. Diariamente, das 5 à 0 hora. Estação
Brás. De segunda a sexta, das 9h30 às 19 horas; sábado,
das 9h30 às 14 horas. Galeria Augôsto Augusta. Rua
Augusta, 2.161, tel. 3082-1830. Até 23/11
Fonte: Jornal Estadão
11/11/2002
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