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Começa amanhã o 13.º Videobrasil
Maria Hirszman

Após uma ausência de três anos, na qual passou por uma série de remodelações, o Videobrasil começa nesta quarta-feira sua 13.ª edição, com uma série de atrações imperdíveis para os amantes e curiosos da videoarte. Serão exibidos aproximadamente 300 trabalhos, aí incluídos os 135 selecionados para participar da mostra competitiva (escolhidos com dificuldade pela comissão julgadora em meio a um volume recorde de mais de 600 inscrições), os títulos trazidos ao Festival pelos dez curadores internacionais convidados a traçar um panorama da produção de seus países e uma seleção de obras do convidado de honra desta edição e um dos pais da videoarte, o norte-americano Gary Hill. Além disso, há uma intensa programação de instalações e performances e uma seleção de trabalhos para a videoteca, que pretende traçar um panorama das referências na área.

Mesmo com uma programação tão diversa, que inclui desde os mestres dessa linguagem ainda recente - a videoarte tem pouco mais de três décadas de existência - até as experiências desenvolvidas nos países incluídos no domínio amplo do Terceiro Mundo (participam da seleção apenas os países do Sul, termo mais político do que geográfico). A videoteca faz parte de uma associação do Videobrasil com o Paço das Artes, onde será criado um espaço permanente de acesso do público ao acervo de cerca de 3,5 mil títulos, acumulados pela organização do festival em seus 18 anos de existência. A inauguração da videoteca será no sábado com uma apresentação de Gary Hill. No campo brasileiro será homenageado o artista multimídia Rafael França, com o lançamento de um documentário sobre sua produção.

Aparentemente esta seria difícil concluir qual o grande fio condutor que une produções tão distintas. Mas a diretora do Videobrasil, Solange Farkas, não hesita um minuto em afirmar que a grande novidade desta 13.ª edição é a interatividade e a necessidade de os artistas de pensar, questionar a própria questão da narrativa, não importa o meio que estejam utilizando. Trata-se de uma disseminação ainda mais potente da rebeldia que sempre marcou a videoarte em sua tentativa de adotar uma leitura aleatória, circular, em contraposição à narrativa linear presente em outras linguagens como o cinema. "A mente humana também funciona assim, a gente não pensa linearmente", diz.

Entre os temas explorados pelos artistas predominam as discussões acerca de questões como a relação do homem com seu próprio corpo, com o outro, e - num campo menos introspectivo - uma série de reflexões sobre os efeitos da globalização.

Segundo Solange, a decisão de passar três anos sem realizar uma edição do festival (que inicialmente era anual e posteriormente se transformou num evento bienal) foi vital para repensar os rumos da mostra - assim como em 89, os organizadores sentiram necessidade de tornar o Videobrasil um festival internacional - e decidir intercalar a mostra competitiva com grandes exposições curatoriais, capazes de traçar interessantes panoramas como o da produção africana trazido pela organização no ano passado. E, mesmo assim, o profundo dinamismo do setor continua exigindo mudanças.

Hoje Solange considera um erro ter dividido as inscrições em dois segmentos: videoarte e novas mídias (este último aberto a todas as nacionalidades, não só ao hemisfério).

"A videoarte tem como característica flertar de maneira intensa com outras linguagens. É essa certa promiscuidade, criticada pelos conservadores, que lhe dá essa força", explica a curadora. Se o artista que se embrenhou por esse caminho tem em comum a experimentação de novas ferramentas, ele se adaptou de maneira impressionante à nova tecnologia digital, esfacelando mais uma barreira em seu caminho. "Esta é a arte do começo de um novo século. As pessoas estão se apropriando de todas as linguagens. As fronteiras é que desabam", conclui Solange.

Serviço - Videobrasil - Festival Internacional de Arte Eletrônica. De terça a sábado, das 9 às 22 horas; domingo, das 9 às 20 horas. Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Até domingo. Abertura nesta quarta-feira, às 9 horas

Fonte: Jornal Estadão
19/09/2001