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Salão de Piracicaba comemora 30 anos de
humor
Camila Molina
Mostra e livro contam a trajetória do evento, reunindo
os melhores trabalhos apresentados ao longo de
três décadas

Reprodução/
Trabalhos dos ilustradores Carlinhos e Baptistão,
do Estado
São Paulo - Para comemorar as três
décadas do Salão Internacional de
Humor de Piracicaba será aberta hoje, no
Memorial da América Latina, em São
Paulo, a mostra 30 Anos de Humor, que reúne
os melhores trabalhos apresentados ao longo de
toda a história do evento, fotos de artistas
e do público, documentos e cartazes. E
não só isso. Hoje, às 11
horas, será lançado, na abertura
da exposição, o livro Piracicaba
- 30 Anos de Humor, catálogo bilíngüe
editado pela Imprensa Oficial de São Paulo
e do Instituto do Memorial de Artes Gráficas
do Brasil. Ocorrerá, ainda, um ciclo de
debates a partir de quinta-feira; será
apresentada uma réplica em lona vinílica
do mural pintado em afresco por Ziraldo para o
Canecão, em 1967; shows; um ciclo de filmes
humorísticos em vídeo e documentário
sobre alguns dos participantes como Henfil (o
homenageado da 30.ª edição
do evento); e será lançada oficialmente
a 31.ª edição do Salão,
marcada para agosto e outubro deste ano.
O Salão de Humor de Piracicaba foi criado
em 1974. O clima de repressão causado pelo
regime militar se vê estampado nos trabalhos
apresentados e premiados nas primeiras edições
do evento - o salão "representou a
abertura de uma nova trincheira na resistência
ao regime de exceção. Mostrou que
os pincéis dos humoristas podem, às
vezes, causar estragos nos regimes ditatoriais
maiores do que os fuzis dos guerrilheiros",
como escreve Hubert Alquéres, diretor-presidente
da Imprensa Oficial no texto de apresentação
do catálogo. E, logicamente, temas políticos
estão presentes até hoje. Caricaturas,
charges, cartuns e quadrinhos fizeram a história
do evento.
Como conta Paulo Caruso no livro, "foram
duas expedições" até
o Salão "pisar" em terra firme
e se estabelecer em Piracicaba. A primeira, ocorreu
em 1972, quando o jornalista Roberto Cêra
e o artista plástico Ermelindo Nardin chegaram
ao Rio e fizeram contatos com a equipe do Pasquim
para criar um espaço para os desenhos de
humor no consagrado Salão de Arte Contemporânea.
E a segunda expedição, sob "orientação
do mestre navegador Zélio Alves Pinto",
foi em Piracicaba mesmo, em 1973, com a participação
dos jornalistas Alceu Marozzi Righeto e dos jovens
Adolfo Queiroz e Carlos Colognese. Depois dos
contatos na cidade paulista, o resultado das expedições
foi em 74, quando no saguão do Banco Português,
ocorreu o 1.º Salão de Humor. Toda
a história, incluindo sua ampliação
até chegar a ser internacional, está
no livro e na mostra que poderá ser vista
em São Paulo.
Piracicaba 30 Anos de Humor. Memorial da América
Latina. Avenida Auro Soares de Moura Andrade,
664, Barra Funda, 3823-4600. Terça a domingo
das 9 às 18 horas. Até 11/6.
Jornal Estadão
09/06/2004
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