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HQs brasileiras invadem editoras americanas
Jones Rossi
São Paulo - A invasão brasileira
nos quadrinhos norte-americanos começou
aos poucos. Roger Cruz e Mike Deodato Jr. deixaram
sua marca em Homem-Aranha e Hulk, da Marvel, Marcelo
Cassaro tornou-se o primeiro roteirista brasileiro
a ter uma história publicada por uma grande
editora americana, a Image, de Spawn. Mas existe
um filão pouco explorado, o das editoras
independentes, do qual só agora os brasileiros
se dão conta. "Nos Estados Unidos
existem pelo menos três mil lojas que vendem
quadrinhos independentes. Se cada uma comprar
pelo menos um exemplar de uma publicação
já dá para garantir o retorno",
afirma o desenhista Bruno D´Angelo, um dos
desenhistas brasileiros pioneiros entre as editoras
independentes.
Ele chega hoje à Califórnia para
o lançamento de Horns of Hattin (As Trombetas
de Hattin), na Conferência de Quadrinhos
de San Diego. É o terceiro trabalho de
D´Angelo feito em conjunto com Shane Amaya,
roteirista, especialista em literatura inglesa
medieval e dono da editora de HQ independente
Terra Major. Horns of Hattin é o que os
autores chamam de história ficcional, HQ
que usa como base um fato histórico. Aqui,
o pano de fundo é a batalha do sultão
Saladin para tirar Jerusalém do domínio
cruzado.
Bruno é um dos poucos artistas brasileiros
a publicar nos Estados Unidos com liberdade autoral.
Isso quer dizer que seus desenhos não precisam
se adaptar à estética dos quadrinhos
de super-heróis da Marvel e DC, e podem
utilizar até de algum experimentalismo.
Em 1997, aos 18 anos, ele publicou Drakkens, uma
revista de super-heróis. "Nem era
muito boa, vendeu pouco, mas foi premiada pela
Associação dos Designers Gráficos.
Aí eu pensei, ou acertamos ou todo mundo
está louco". Tratado como um "artista
promissor" pelo Comics Book Journal, dos
EUA, ainda no Brasil publicou a revista Rock´n
Roll, com Fábio Moon e Gabriel Bá,
e fez uma história para a revista Contos
Bizarros, da editora Abril, vencedora do troféu
HQ Mix categoria Terror. Bruno dá a receita
para emplacar lá fora. "Tem que ser
sério e saber o que quer. Não adianta
procurar uma revista de super-herói se
o seu negócio é mangá. Você
não precisa se moldar, é só
achar o lugar onde seu desenho se encaixa."
E diz que nem todos querem pagar o preço.
"Alguns artistas desenham para si mesmos
e esquecem que o foco sempre é o leitor
".
Jornal Estadão
28 /07/2004
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