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Recife homenageia o mestre da HQ Don Rosa
Alessandro Giannini
Artista que revitalizou a obra de Carl Barks,
criador de Tio Patinhas e da família Pato,
é o principal homenageado do 6.º Festival
de Humor
São Paulo - Desde 1999, formou-se no Nordeste
do Brasil um pólo de informação,
intercâmbio e discussão da arte seqüencial
no Brasil. É o Festival Internacional de
Humor e Quadrinhos de Pernambuco, cuja 6.ª
edição será aberta hoje no
Observatório Cultural Malakoff (Praça
General Artur Oscar, sem número, Recife,
tel. 81 3424-8704). O quadrinhista americano Keno
Don Rosa, convidado de honra e principal homenageado,
estará presente ao evento, que marca também
a inauguração de uma exposição
de seus trabalhos. Don Rosa ficou conhecido por
resgatar a obra do lendário Carl Barks,
criador de Tio Patinhas e da família Pato,
e revitalizá-la, criando uma origem para
o ranzinza e avarento quaquilionário de
Patópolis. Ele presidirá a comissão
julgadora que vai decidir os melhores trabalhos
nas três principais categorias do festival:
cartum, caricatura e história em quadrinhos.
Depois de participar do festival pernambucano,
Don Rosa virá a São Paulo a convite
da distribuidora Buena Vista do Brasil. Explica-se:
ele está trabalhando em uma nova história,
a partir de referências do filme Você
já Foi à Bahia?, em que o Zé
Carioca - criado por Walt Disney em função
da "política de boa vizinhança"
entre Brasil e EUA nos anos 50 - aparece pela
primeira vez. Segundo o artista, a imagem de malandro
e vigarista, vigente nas histórias em quadrinhos,
será abandonada. Ele prefere lançar
mão de sua imagem original, de um malandro
à moda antiga, meio mulherengo, meio artista
frustrado.
Outro importante convidado estrangeiro é
a quadrinhista francesa Edith Grattery, vencedora
em 1993 do prestigiado Festival de Angoulême,
na França, com o terceiro volume da série
protagonizada por Basil e Victoria, um casal de
meninos de rua que vive suas aventuras numa Londres
vitoriana. Edith também exporá parte
de seus desenhos e fará palestras sobre
seu método de trabalho. O festival traz
ainda a exposição Humor Gráfico
no Brasil - Primeiras Imagens, com exemplares
das primeiras ocorrências dessa forma de
manifestação artística no
Brasil. Entre as raridades mostradas, estão
uma ilustração publicada em 1831
no jornal O Carcundão e a imagem que ilustrou
em 1832 o frontispício do jornal humorístico
O Carapuceiro. Terão destaque na mesma
mostra os trabalhos de Rafael Mender de Carvalho,
Auguste Sisson, Henrique Fleuss, José Neves,
Vera Cruz e Honorè Daumier.
Jornal Estadão
27/05/2004
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