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Galeria de Helmut Newton é inaugurada
em Berlim
Uma enorme coleção dos trabalhos
do fotógrafo ícone do mundo fashion
foi aberta hoje, dois dias depois de seu enterro

AP/
June, viúva de Helmut: "o coração
dele sempre esteve em Berlim"
Berlim - Uma enorme coleção permanente
dos trabalhos de Helmut Newton foi inaugurada
hoje em Berlim, dois dias depois do enterro do
famoso fotógrafo em sua cidade natal. Newton
e sua mulher, June, doaram mais de mil fotos,
de moda e também de paisagens, em outubro
do ano passado, à capital alemã,
em vez de Nova York, Los Angeles e Paris, onde
Newton começou a fazer sucesso. "Era
o local mais adequado. O coração
dele sempre esteve em Berlim", disse June.
Nascido em uma rica família judia, em
1920, Newton teve de fugir da Alemanha em 1938,
por causa da perseguição nazista.
Ele nunca voltou a morar no país. As duas
exposições inaugurais, Us and Them
(Nós e Eles) e Sex and Landscapes (Sexo
e Paisagens), mostram retratos íntimos
que Newton e June fizeram um do outro, fotos de
celebridades amigas do casal, fotos eróticas
de modelos e paisagens que Newton retratou durante
a vida.
Klaus-Dieter Lehmann, presidente a Fundação
Helmut Newton, mantida pelo estado, que cuida
da galeria, disse que os trabalhos foram feitos
para gerar discussão. "Isso não
será um monumento, será um fórum",
ele disse. Newton ficou conhecido por suas fotos
fetichistas de mulheres nuas, e recebeu apelidos
como "o rei da depravação"
e "o Marquês de Sade dos 35 milímetros."
Suas fotos em preto-e-branco mostram sentimentalismo
e têm uma ponta fria de rigor. Ele era amplamente
copiado por outros artistas. "Sem Helmut
Newton, a fotografia da moda não seria
o que é hoje", disse Matthias Harder,
curador da mostra.
Um retrato antes não exibido feito por
June, que usa o nome artístico de Alice
Springs, mostra o marido em seu leito de morte
depois do acidente de carro que o matou em janeiro,
em Los Angeles. Cinco fotos ampliadas da famosa
série Grandes Nus de Newton estão
penduradas sobre a escadaria da entrada principal
do museu, no lugar de cinco telas de soldados
prussianos. Cerca de 100 mil visitantes são
esperados por ano.
Jornal Estadão
09/06/2004
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