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Grupo rouba 13 obras de arte da família
Lafer
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL
Um grupo de cinco homens armados, quatro dos
quais permaneceram encapuzados, roubou 13 obras
de arte, jóias, pratarias e relógios
da casa de Graziela Lafer Galvão, uma das
acionistas das Indústrias Klabin. O roubo
ocorreu no Jardim Europa, um dos bairros mais
nobres de São Paulo.
Entre os trabalhos roubados, há obras de
Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Ismael
Nery, Iberê Camargo e Franz Krajcberg. A
família não apresentou uma avaliação
das obras no boletim de ocorrência que registrou.
Só o trabalho de Krajcberg valeria cerca
de US$ 100 mil (cerca de R$ 300 mil). Como foram
levadas duas obras desse artista, só com
ele o prejuízo seria de cerca de R$ 600
mil, numa estimativa grosseira, já que
a família não informou o título
das obras roubadas.
Em busca de dólares
O roubo ocorreu na madrugada do último
domingo. Por volta das 3h40, o grupo rendeu o
vigia da noite. Esperou até a troca de
turno, às 8h, para dominar o vigia que
cuida da casa durante o dia.
Com os dois vigias dominados, o bando entrou na
casa e passou a fazer ameaças a Graziela,
65, à arrumadeira e à copeira, de
acordo com o delegado Mauro Guimarães Soares,
39, do 7º Distrito Policial, que investiga
o roubo. "Eles perguntavam onde estavam os
dólares", conta Soares.
Como não conseguiram os dólares
que imaginavam estar na casa, passaram a procurar
jóias e relógios. Finalmente, atacaram
as obras de arte que decoravam a casa de Graziela,
tia de Horácio Lafer Piva, o presidente
da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo) e prima de Celso
Lafer, ministro das Relações Exteriores
nos dois últimos anos do governo de Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002).
A hipótese inicial da polícia era
de que se tratava de um roubo por encomenda -um
marchand ou colecionador, conhecedor da coleção
de Graziela, contrata um grupo para levar as obras
porque já tem uma boa oferta por um ou
mais itens do lote.
Foi o que ocorreu em 2001 com obras de uma tia
de Graziela, Mildred Lafer, que mora no mesmo
bairro. Uma quadrilha roubou três telas
de Portinari, dois Di Cavalcanti, uma de Tarsila
do Amaral e um Guignard. Cinco dias depois, a
polícia prendeu Edmir Cordeiro de Oliveira
e ele disse que roubou as obras porque um comprador
americano havia oferecido R$ 3 milhões
pelo lote.
O delegado Soares diz que a hipótese de
encomenda perdeu força depois que os seguranças
relataram a maneira como os ladrões tiraram
as molduras dos quadros, para facilitar o transporte.
"Os seguranças contaram que os ladrões
chegaram a estragar alguns quadros para retirar
a moldura fora. Aparentemente, não foi
um assalto planejado", afirma Soares.
A Folha apurou que o bando deixou na casa uma
escultura avaliada em cerca de R$ 400 mil, o que
denota ignorância sobre o valor dos artistas
da coleção ou, no mínimo,
despreparo, já que a obra, feita em mármore,
é pesada.
Outro indício do desconhecimento dos ladrões
sobre a casa que assaltavam, de acordo com o delegado,
é que eles perguntavam por um morador inexistente.
A única pista que a polícia tem
até agora é que o carro usado pelo
grupo na fuga, um Renault Scénic que pertence
a Graziela, foi encontrado abandonado em Guarulhos
(Grande São Paulo) no domingo à
tarde.
O roubo do carro é outro indício
de amadorismo, na visão da polícia.
Se fossem profissionais, segundo esse raciocínio,
o mais provável é que teriam roubado
um carro de outra pessoa.
Folha - Cotidiano
01/04/2004
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