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Obras de brasileiros nas ruas da Argentina e França

Buenos Aires e Paris - Os artistas plásticos brasileiros Arthur Lescher e Carmela Gross têm obras expostas em espaços públicos de Buenos Aires e Paris


Tus Ojos (Teus Olhos), de Lescher, acima, e Bleu, Jaune, Rouge, Rouge, (Azul, amarelo, vermelho, vermelho), na fachada de uma escola de Paris

Pelos próximos 12 meses, quem estiver em Buenos Aires e entrar no museu de arte latino-americana do Cone Sul, o Malba (Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires), terá de passar pela escultura Tus Ojos (Teus Olhos). A obra, do artista plástico brasileiro Artur Lescher, foi escolhida para substituir Penetrable (Penetrável), do mexicano Jesús Soto. A tarefa não será fácil. O curador do Malba, Marcelo Pacheco, explicou que a escultura na frente do museu foi pensada como transição entre a rua e o local de exibição dentro do prédio. "Por isso, procuramos obras que tenham relação particular com o visitante, interativas como a do Lescher." O artista está entusiasmado. Nos primeiros dias, a recepção à sua obra foi positiva. “Ocupar o lugar do Soto é uma grande conquista. Para mim e para a arte brasileira contemporânea. Meu trabalho não é narrativo nem figurativo e relaciona percepção do urbano. É quase como uma paisagem o que construí na frente do museu. Você se vê e vê a paissagem. Chama-se Teus Olhos porque a pessoa faz com o próprio olhar”, disse Lescher ao Estado. (Ariel Palacios)

Carmela Gross - Em Paris, a artista brasileira Carmela Gross também teve uma recepção positiva de seu novo trabalho Bleu, Jaune, Rouge, Rouge (Azul, amarelo, vermelho, vermelho), na fachada de uma escola de Paris. "Nós da periferia não temos nenhum privilégio. Aqui tudo é cinza... e a senhora nos deu um sol!" Com essas palavras e um agradecimento a Carmela Gross, a professora afastou-se. Devia zelar pelos alunos da Escola René Binet, em Paris. A encomenda da obra, um trabalho feito sobre a fachada de uma escola, que une arte e arquitetura, nasceu de acordo entre as prefeituras de Paris e São Paulo. Para o trabalho, Carmela teve três frestas da fachada de uma escola e também usou o acesso que corta um jardim. Ela cobriu com placas geométricas coloridas com as cores primárias os vãos dos três andares do prédio, entre as janelas. No solo, repetiu a mesma cadência cromática, com formas geométricas diferentes, deixando à vista algumas sobras do cimento original. Trata-se, segundo a artista, de um "vitral pelo avesso", visto de fora. Quanto ao caminho recoberto de cores, ele tem igual sentido rítmico e, de acordo com Carmela, "o mesmo molejo do samba de breque. É o lugar da ação, enquanto o muro é o da contemplação", diz ela. (Sheila Leirner)

Jornal Estadão
27/05/2004