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Obra-prima de US$ 1 milhão é doada
ao Masp
Antonio Gonçalves Filho
Museu comemora a chegada do óleo sobre
madeira A Crucificação de Cristo,
do pintor Jan van Dornicke, com exposição
de artistas contemporâneos do mestre flamengo

A Crucificação de Cristo: tríptico
original em perfeita forma
São Paulo - A Semana Santa vai ser comemorada
com redobrada alegria no Museu de Arte de São
Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Há anos
o museu não recebia um presente como a
obra-prima do mestre flamengo Jan van Dornicke
(c.1470 - c.1527), A Crucificação
de Cristo, que um generoso colecionador paulista
decidiu doar à instituição.
O Estado descobriu ser o doador - que prefere
permanecer anônimo - o mesmo empresário
que presenteou o Masp há dois anos com
duas esculturas chinesas da Dinastia Tang (618
a 907 da era cristã). Com a doação
do óleo sobre madeira de Van Dornicke,
o museu incorpora ao acervo um presente avaliado
em US$ 1 milhão.
Para comemorar, o Masp abre, no dia 12 de abril,
uma exposição de mestres contemporâneos
de Van Dornicke, A Crucificação
de Cristo e o Renascimento Nórdico, organizada
pelo professor de História da Arte da Unicamp
Luiz Marques, curador-chefe do Masp entre 1995
e 1997. São 12 obras-primas de mestres
como Bosch, Hans Memling, Quentin Metsys e Abrecht
Dürer, todos da coleção do
museu. Do último será exibida a
gravura A Traição de Cristo (1508),
doada há dois anos pela família
do diplomata Lauro Eduardo Soutello Alves junto
a outras 25 gravuras dos séculos 16 e 17.
A gravura de Dürer foi também um
grande presente, mas, em 56 anos de história,
o Masp não conseguiu apresentar ao público
uma obra expressiva da arte flamenga. Mesmo o
belo óleo sobre madeira de Hans Memling
de seu acervo é um fragmento, possivelmente
a parte direita de um díptico desmembrado
sobre a lamentação da Virgem Maria.
Certo, existe o Bosch de As Tentações
de Santo Antão, pintado provavelmente no
ano em que o Brasil foi descoberto, mas é
apenas uma das 16 réplicas espalhadas pelo
mundo. Já o óleo de Jan van Dornicke
é um tríptico original em sua mais
perfeita forma, proveniente da tradicional Colnaghi
Gallery de Londres.
Jornal Estadão
30/03/2004
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