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Biografia decifra arte e mistérios de
Maria Martins
Beatriz Coelho Silva e AE
Rio - Maria Martins nasceu em berço
de ouro e viveu em palácios seus quase
80 anos. Maria foi personagem da mais alta elite
política brasileira e uma das primeiras
artistas premiadas na Bienal de São Paulo,
da qual era uma das mentoras assim como influiu
na criação do Museu de Arte Moderna
do Rio. Sua história está em Maria
Martins, Uma Biografia, da jornalista Ana Arruda
Callado, publicada pela editora Gryphus.
Filha do político mineiro João
Luiz Alves, ministro da Velha República,
casou-se pela primeira vez com o jurista e historiador
Octávio Tarquínio e depois com o
diplomata Carlos Martins, que era embaixador do
Brasil no período anterior e posterior
à 2.ª Guerra Mundial, serviu no Japão
e também na Europa.
Maria se trancava em seu ateliê durante
o dia e à noite fazia seu trabalho de embaixatriz,
usando todo o charme que as duas profissões
lhe conferiam. Por isso, conviveu também
com líderes mundiais como Harry Truman,
Mao Tsé Tung, e nacionais, como Getúlio
Vargas, com quem trocava correspondência
num tom informal, e Juscelino Kubitscheck, que
foi a seu enterro, no Museu de Arte Moderna do
Rio, um verdadeiro happening.
No mundo das artes ela é citada com destaque
em quase todos os estudos sobre o surrealismo,
devido à sua amizade com os artistas e,
principalmente, seu romance com Marcel Duchamp,
que a teve como musa e modelo de obras fundamentais,
como Prière de Toucher, capa do catálogo
da exposição Le Surrealisme en 1947.
A peça, que fez mais sucesso que a mostra
que anunciava, era um seio (o de Maria) e pedia-se
para tocá-lo, paródia dos cartazes
espalhados pelos museus franceses.
Uma de suas esculturas, O Rito do Ritmo, está
no jardim do Palácio da Alvorada e há
outras espalhadas em (poucos) museus brasileiros
e americanos e em coleções particulares.
O vigor de suas esculturas expostas na mostra
sobre o surrealismo no Centro Cultural Banco do
Brasil em 2001 surpreendeu a jornalista Ana Callado,
que resolveu escrever sua história.
Jornal Estadão
29/12/2004
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