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Criadores provocam com ações de
arte pública
Maria Hirszman
Intervenções em outdoors de São Paulo e um
cubo cenográfico no Ibirapuera instigam
e estimulam a reflexão artística

Divulgação/
Maquete do trabalho de Vera de Albuquerque
São Paulo - Fazer arte pública
numa cidade como São Paulo é um
enorme desafio, mas nem por isso deixamos de ter
interessantes iniciativas do gênero. Nos
próximos dias duas ações
estarão ocorrendo simultaneamente na cidade:
a ação Eu, Tu... Eles, da artista
Vera de Albuquerque (e que integra o projeto Museu
Aberto, coordenado por Lilian Amaral) e a ousada
ação Recortes Urbanos, realizada
por Waldo Bravo em 10 outdoors localizados em
importantes avenidas.
Enquanto o trabalho de Vera (que poderá
ser visto hoje e amanhã no Parque do Ibirapuera)
e entre os dias 29 de maio e 2 de junho no Sesc
Vila Mariana) provoca o transeunte, desloca-o
do papel passivo e transforma-o no centro da obra
- ao entrar no cubo, ele não apenas vê
sua imagem refletida por todo o espaço,
como interage de maneira bastante instigante com
os outros "habitantes" dessa célula
espelhada -, Waldo Bravo age de forma perturbadora
e sutil em Recortes Urbanos.
Não há nada de sua autoria, nenhuma
expressão artística individual nesses
painéis, e sim imagens do que se veria
se eles não estivessem ali. A sensação
que se tem ao ver as imagens do catálogo
(os outdoors só serão colocados
amanhã, em locais como as avenidas Rebouças,
Jabaquara e Vicente Rao) é que em vez de
acrescentar, ele apaga. O processo é complexo
e exigiu o uso de sofisticadas técnicas.
Interfere na paisagem urbana, limpando-a, devolvendo
um certo equilíbrio e nos lembrando de
que nem todas as possibilidades foram esgotadas
nessa estranha, poluída e fragmentada cidade.
27/05/2004
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