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O cotidiano nas lentes de German Lorca
Maria Hirszman
Fotógrafo expõe seu trabalho a partir
de hoje no MAC-USP, e de mostras sobre artejornalismo,
com fotos de Thomas Farkas entre outros fotógrafos

Foto de German Lorca
São Paulo - O Museu de Arte Contemporânea
da USP exibe a partir desta noite uma ampla seleção
de fotografias de German Lorca, que contempla
duas questões centrais do modernista ao
longo de mais de três décadas de
produção: um olhar cuidadoso sobre
o cotidiano e a observação atenta
das profundas transformações por
que passou a paisagem paulistana desde os primeiros
trabalhos realizados por esse pioneiro da fotografia
moderna no País, ainda na década
de 40. São 38 imagens que contextualizam
as principais questões abordadas pelo fotógrafo,
ajudam a confirmar seu papel de destaque no cenário
artístico paulistano da segunda metade
do século 20 e marcam o início de
um projeto de aquisição de obras
para a coleção de fotos do museu.
Além de divulgar a obra de Lorca para
um público mais amplo, a exposição
permite ainda um interessante encontro entre seu
trabalho e o de outro mestre da fotografia brasileira,
Thomas Farkas, um dos três artistas contemplados
na exposição ArteJornalismo (ao
lado de Antonio Costela e Hélcio Deslandes).
Farkas - que está representado com sua
produção fotográfica e cinematográfica
- e Lorca participaram juntos do Foto Cine Clube
Bandeirante no final da década de 40 e,
junto com figuras como Geraldo de Barros, desenvolveram
as bases do que viria a ser chamado de a fotografia
moderna brasileira.
Não à toa as exposições
foram escolhidas como plataforma de lançamento
para o relançamento do livro A Fotografia
Moderna no Brasil, de Helouise Costa e Renato
Rodrigues, a ser realizado em 16 de setembro.
A obra, lançada originalmente em 1995 foi
revista e ampliada.
Dos jogos de sombra e luz que tanto marcam sua
fotografia, Lorca redescobre a paisagem, com um
olhar atento para pequenos absurdos e ironias.
A exposição, que reúne imagens
clássicas de Lorca como Fumante, Oca, Ícaro
e Cadeira com Guarda-Chuva, segue apenas até
a década de 70 (fechando o foco sobre o
período mais importante de sua produção),
mas aos 82 anos o fotógrafo continua na
ativa, dando prosseguimento a investigações
sobre a paisagem urbana, como no ensaio que realiza
há anos sobre o Parque Ibirapuera. Nos
últimos anos, Lorca vem sendo objeto de
uma série de homenagens, em eventos como
a Bienal de Fotografia de Curitiba, o Mês
da Fotografia e o Prêmio Porto Seguro de
Fotografia, que em sua penúltima edição
premiou-o por sua obra.
German Lorca (até 19/9. Abertura nesta
terça, às 19h). Heróis Olímpicos
(até 29/8). Arteconhecimento (até
31/8). Arte Jornalismo (até 12/9). MAC
USP. R. da Reitoria, 160, Cidade Universitária,
3091-3039. Agendamento pelo 3091-3039. 10h/19h
(sáb. e dom., até 16h; fecha 2ª).
Grátis
Jornal Estadão
26/08/2004
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