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A memória do Carandiru é exposta
no CCSP
Camila Molina
Fotos de Maureen Bisilliat e Ricardo
Hantzschel registram o universo dos presos da
antiga Casa de Detenção
São Paulo - Necessidade de Narrar, de
Ouvir e ser Ouvido, de Maureen Bisilliat, e Vestígios,
de Ricardo Hantzschel, têm o Carandiru como
tema e serão inauguradas hoje no Centro
Cultural São Paulo (CCSP).
A primeira é formada por 33 cartazes,
27 deles com fotografias e frases extraídas
de entrevistas com presos da Casa de Detenção,
e a segunda, por registros dos ícones encontrados
e colecionados pelos detentos em diversos pavilhões.
Maureen Bisilliat - que assina esse trabalho
com sua filha, Sophia Bisilliat, André
Caramante, João Wainer e Pedro Lobo, pesquisou
entre abril de 2001 e dezembro de 2002 na Casa
de Detenção, para montar este trabalho
que coloca lado a lado os retratos e as palavras,
como uma maneira de ir mais a fundo no universo
do homem encarcerado. "Sem o intuito de julgar
ou buscar justificar, as entrevistas falam de
solidão, família, lealdade, amizade",
diz ela. As fotos estão também no
livro Aqui Dentro - Páginas de Uma Memória:
Carandiru, publicado pela Imprensa Oficial do
Estado.
Já Hantzschel registrou em diversas passagens
pelo Carandiru, antes da implosão, os vestígios
dos que habitaram as celas. Em 23 trabalhos expostos
- imagens em caixas de ferro e madeira -, a maior
parte é dedicada aos ícones femininos
- impressos ou grafitados, "que cobriam todo
o cubículo junto com recortes de carro,
paisagens, santos, motos, iates e demais símbolos
de consumo do mundo externo".
Jornal Estadão
18/11/2004
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