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Canudos
Exposição comemorativa no IMS-Rio

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.
(Euclides da Cunha, em Os sertões)


Foi com Os sertões (1902) que o vilarejo baiano fundado por Antônio Conselheiro saltou definitivamente da geografia para a história do Brasil. Por isso, no centenário da obra maior de Euclides da Cunha, as dimensões várias do conflito e os retratos que se fazem de seu palco são alvo da exposição Canudos, apresentada no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro a partir de 9 de dezembro.

A mostra compõe-se das cerca de 300 imagens que integram a seção “Portfólio” do número de estréia dos CADERNOS DE FOTOGRAFIA BRASILEIRA – produzidas por nomes que vão desde Flávio de Barros, único profissional a registrar a Guerra de Canudos, em 1897, até Cristiano Mascaro, enviado pelo IMS para registrar a região do conflito em 2002.

O olhar fotográfico não é, no entanto, o único contemplado pela mostra: dela fazem parte, também, outros documentos de relevância para a compreensão do episódio.

Além de primeiras edições de Os sertões, manuscritos e cartas de Euclides da Cunha, estarão expostos os três álbuns com as imagens da guerra registradas por Flávio de Barros – nunca antes exibidos em conjunto – e um quarto, o “álbum canônico virtual”, resultado do trabalho de recuperação feito pela equipe do IMS a partir das fotos mais bem preservadas de cada exemplar original.

Junto com manuscritos de Antônio Conselheiro – os breviários de 1895 e de 1897, este trazido a público pela primeira vez –, os álbuns serão acolhidos em um novo espaço, especialmente concebido para este fim e inaugurado com a mostra Canudos. Trata-se do Gabinete Fotográfico, que nasce da adaptação da biblioteca do IMS-Rio às condições ambientais requeridas para a exibição de documentos raros.

Paralelamente à mostra, o IMS-Rio exibirá um ciclo de curtas e audiovisuais sobre o tema.

Canudos
Vernissage: 9 de dezembro, das 19h30 às 22h30
Instituto Moreira Salles – r. Marquês de São Vicente, 476, Gávea, Rio de Janeiro, tel. (0 xx 21) 3284-7400
Aberta de terça a domingo, das 13h às 20h, até 9 de março
(à exceção do material exposto no Gabinete Fotográfico, exibido até 4 de maio)
Entrada franca