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Museu Nacional sai em campanha para ampliar acervo
Beatriz Coelho Silva
Há um ano no cargo, o diretor
Paulo Herkenhoff fala das soluções
encontradas para aumentar o catálogo da
instituição no Rio
Rio - O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) está
em campanha para ampliar seu acervo e melhorar
suas exposições. Seu diretor, Paulo
Herkenhoff, que veio do Museu de Arte Moderna
de Nova York (MoMA), comemorou ontem um ano no
cargo com o diagnóstico dos problemas e
suas soluções. "Tive surpresas
terríveis, mas também consegui parcerias
para planejar o futuro", diz ele. "Vamos
realizar obras estruturais, atrasadas em duas
décadas, e reestruturar a organização
do espaço para adequá-lo às
necessidades atuais."
Ele lembra que o MNBA sempre adquiriu a arte
de seu tempo. "O acervo começou em
1816, quando a família real brasileira
decidiu criar uma coleção pública.
Só que o Império fez melhores aquisições
que a República e as últimas são
dos anos 80", analisa. "Esse museu é
vergonhosamente carioca. Faltam-lhe, além
de obras contemporâneas, itens de várias
épocas, como Aleijadinho, Anita Malfatti,
Lasar Segall e Volpi do início do século
passado. Precisamos preencher essas lacunas."
As obras contemporâneas e modernas serão
doações dos artistas, seus descendentes
ou colecionadores. A crítica Esther Emílio
Carlos mandou peças de Manabu Mabe, Antônio
Bandeira, Alfredo Guignard e Waltercio Caldas.
A filha de Mira Schendel, Ada, e os descendentes
de Leonilson, seguiram o exemplo. Franz Krajcberg,
Daniel Senise e Tomie Ohtake doaram em vida e
Glauco Rodrigues, pouco antes de morrer. Já
as obras anteriores ao modernismo serão
compradas.
Para abrigar esse acervo, o museu está
em obras desde o fim do ano passado. Herkenhoff
conta que, ao chegar lá, em março
de 2003, encontrou salas com lixo, infiltrações
e rachaduras. A obra é parceria da Universidade
de São Paulo, representada pelo titular
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Paulo
Mendes da Rocha, que cuida da museografia; da
Coordenação de Programas de Pós-Graduação
em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), que faz o diagnóstico
de engenharia, e do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Jornal Estadão
30/03/2004
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