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"Cabocla" resgata cenas censuradas
nos anos 70
Carol Knoploch
Novela original de 1979 sofreu restrições
a temas como a questão da posse de terras.
Remake estréia segunda, no horário
das 18 horas

Divulgação/
Vanessa Giácomo será Zuca, papel
vivido por Glória Pires na versão
original
São Paulo - O remake de Cabocla, que estréia
na próxima segunda-feira, às 18
horas, na Globo, poderá abordar temas que
eram tabu na época da primeira versão,
em 1979 - a história se passava em 1926.
O principal deles diz respeito à questão
da posse de terra, que o autor Benedito Ruy Barbosa
sempre abordou em seus folhetins - foi assim desde
Meu Pedacinho de Chão, na Cultura (1971),
até O Rei do Gado, da Globo (1996), a referência
mais famosa ao tema. Em 1979, o conceito do usucapião
em Cabocla causou reboliço. "Vamos
mexer bem nesta questão política,
o que na época não foi possível
por causa da censura", afirma o autor, que
supervisiona a adaptação da história,
agora realizada por suas filhas, Edmara e Edilene
Barbosa. O tempo do enredo, dessa vez, é
1918. "Minha maior preocupação
com este remake é não estragar o
que foi bem-feito."
Benedito conta que finalmente poderá colocar
em foco uma cena que a censura proibiu em 1979.
"A censura era imbecil demais", afirma
o autor. Ele conta que foi impedido, por exemplo,
de mostrar uma seqüência de imagens
em que Zuca, então vivida por Glória
Pires, encontra Luís Jerônimo, de
Fábio Júnior, em um quarto da fazenda
do coronel Boanerges (Cláudio Correa e
Castro). "Ele está tossindo, bem mal,
sabe... Mas eles não queriam que aparecesse
uma cena de dois solteiros conversando em um quarto.
Achavam uma afronta." Agora, com Vanessa
Giácomo e Daniel de Oliveira, nos papéis
principais, a cena vai se consumar no ar e terá
até beijo. "Pessoas de idade me agradecem
pela oportunidade de poder rever a novela. E garanto
que esta versão será ainda melhor",
fala o autor original.
Jornal Estadão
05/05/2004
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