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Arte jovem e mestres contemporâneos no
CCSP
Maria Hirszman
O Centro Cultural São Paulo realiza hoje uma tripla inauguração.
Programação variada promete atrair
diferentes públicos

No alto, Rosa Dois Copos, de Paulo Pasta. Acima,
uma das fotos da série Corpo da Alma, de
Rosângela Renmó
São Paulo - O Centro Cultural São
Paulo (CCSP) realiza hoje uma tripla inauguração.
A oferta é variada, capaz de atrair os
mais diferentes públicos, com eventos que
vão da sedutora mostra de ikebana, que
ocorre todos os anos na instituição
da Rua Vergueiro, ao espaço amplo dedicado
à jovem produção artística.
A grande atração da temporada, no
entanto, são os artistas convidados do
Programa Anual de Exposições, que
encerra a temporada de 2004 com um trio de peso:
Rosângela Rennó, Dudi Maia Rosa e
Paulo Pasta.
Em sintonia com o perfil da instituição,
a mineira aproveitou o convite para testar uma
idéia antiga: transferir diretamente para
a parede (sem o auxílio de nenhum tipo
de suporte) as retículas das imagens de
sua série O Corpo da Alma. As fotos de
base, oriundas de um dos vários arquivos
de recortes de jornal mantidos por ela, mostram
a mesma e recorrente cena de pessoas com retratos
de familiares ou desaparecidos nas mãos.
A versão original do trabalho - com impressões
sobre placas de aço inox - também
estarão sendo exibidas no CCSP.
Os dois pintores, Maia Rosa e Pasta, dividem
a grande sala de exposições ao fundo
do terceiro andar, num estranho e curioso encontro.
Enquanto as telas de Maia Rosa parecem gritar,
com sua mistura de texturas, choques de cores,
contrastes entre transparência e opacidade,
a pintura de Paulo Pasta apenas sussurra, convidando
o espectador a buscar a riqueza e sutileza de
detalhes, que se revelam somente aos poucos.
Também é forte o caráter
experimental nas obras reunidas na mostra Ciclo,
que excepcionalmente ocupa o segundo andar do
CCSP. Trata-se da 50.ª exposição
realizada pelo projeto cultural Linha Imaginária,
uma criativa associação de criadores
visuais de todo o mundo, que se uniram em busca
de maior intercâmbio e visibilidade a seus
trabalhos. Ao todo são 13 expositores,
de origens diversas como Argentina, Portugal,
Inglaterra e Berlim. Do Brasil há seis
artistas. A diversidade de linguagens e poéticas
também é grande, da delicada instalação
com um objeto de vidro de Mônica Rubinho
às interferências sonoras de Ross
Leslie, produtor musical inglês que reside
atualmente no País.
Serviço:
Mostra do Programa Anual de Exposições
até 2004 (até 19/9), Ciclo Linha
Imaginária (até 19/9) e Ikebana
(até 15/8) - No Centro Cultural São
Paulo. Rua Vergueiro, 1.000. Liberdade, 3277-3611,
metrô Vergueiro. Das 10 às 20 horas
(sábado e domingo, até às
18 horas; fecha segunda). Grátis. Abrem
hoje, às 19 horas.
Jornal Estadão
16/08/2004
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