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Os anos 50 muito além do concretismo

Globo Online

RIO - O nome duplicado é proposital. A exposição "Cinqüenta 50", aberta ao público esta sexta-feira no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), mostra que a década de 50 foi muito mais plural do que se imagina, deixando de lado a visão de que a época foi marcada só pelos concretistas. A mostra traz obras de diferentes estéticas presentes no acervo do MAM: da figuração modernista de Guignard e Ceschiatti, à fotografia urbana de German Lorca, do primitivismo de José Antonio da Silva até o próprio concretismo de Hélio Oiticica, Lygia Pape, Lygia Clark e Ivan Serpa e o surrealismo de Antonio Henrique Amaral.

Para o curador de "Cinqüenta 50", Felipe Chaimovich, o objetivo da mostra é desfazer a imagem anacrônica sobre a importância dos concretistas.

- Tal posição foi construída recentemente, sobretudo na década de 90, visando afirmar uma imagem de arte contemporânea brasileira derivada de uma agenda única no pós-guerra, o que é incorreto - conta Chaimovich, que idealizou a mostra a partir da enquete histórica promovida pela revista paulistana "Habitat" que perguntava sobre futuro das artes no Brasil para artistas como Djanira, Heitor dos Prazeres, Antonio Bandeira, Ivan Serpa e Iberê Camargo. - A diversidade de respostas indica que os concretistas não eram dominantes na época, sendo representados apenas na posição de Ivan Serpa naquele artigo.

A mostra traz 75 obras, entre elas fotografias, esculturas, desenhos, pinturas e gravuras de 38 artistas. Lá estão nomes como Abraham Palatnik, Ademar, Alberto da Veiga Guignard, Franz Weissmann, German Lorca, Hansen-Bahia, Heinz Kühn, Hércules Barsotti, Rasmus Skov, Samson Flexor, Thomaz Farkas e Vitoria Kossowski.

CINQÜENTA 50 MAM: Parque do Ibirapuera portão 3 - s/nº. Telefone: 5549-9688. Terças, quartas e sextas das 10h às 18h, quintas 10h às 22h, sábados, domingos e feriados das 10h às 18h. R$ 5.

Jornal O Globo
17/12/2004