“Cavalos em Terracota” é a exposição que reúne 24 peças do escultor gaúcho celebrizado por esculpir gordinhas, que há oito anos vive em Florianópolis
Ele ficou conhecido por esculpir gordinhas, mas sua produção não se limita às belas e sensuais figuras em terracota. Nestes 28 anos de atividade ininterrupta, Maia foi além da escultura, buscando na pintura e na gravura outras possibilidades de expressar sua arte. Há oito anos morando em Florianópolis, à beira da Lagoa da Conceição, onde reside e mantém seu atelier, ele está de volta a Porto Alegre para mostrar seu mais recente trabalho, a exposição “Cavalos em Terracota”. A mostra inaugura no próximo dia 14 de abril, na Galeria Paulo Capelari. São 24 peças de terracota, medindo entre 1mx60cm e 25cmx16cm, cujo diferencial é a sua unicidade. “São peças exclusivas”, reforça o artista.
Grande parte das novas esculturas faz referência aos centauros. “A imagem do cavalo está ligada à identidade do gaúcho”, relaciona o artista. Entre as peças, destacam-se “São Jorge, o Cavalo e o Dragão”, uma escultura de grande porte, e um pote chamado “Maiajoara” – a fusão do seu nome com a cerâmica marajoara. “É uma homenagem aos ceramistas”, brinca. Também remetem aos cavaleiros templários, personagens que exercem grande fascínio sobre o artista.
De formação autodidata, Maia nasceu em São José do Norte, interior do Rio Grande do Sul, em 1953. Seu pai era pedreiro e mãe cozinheira. “Já estava no meu DNA”, graceja ele, fazendo referência à habilidade manual dos pais que, em muito, se assemelha ao seu exercício cotidiano de modelar o barro. “Gosto desta coisa primitiva. O barro pelo barro”, explica. Expõe seus trabalhos desde 1981. A partir da primeira exposição na Galeria Ana Niemayer, no Shopping da Gávea, RJ, nunca mais parou. “A arte é que me achou. Comecei sem saber o que era arte”, diz. Ele conta que “foi tocado pela arte” quando fui morar no Rio de Janeiro, em 1971, ocasião em que conviveu com a pintora, desenhista e ilustradora Djanira Motta e com o também pintor, desenhista, gravador, ilustrador e professor brasileiro Frank Schaeffer. De volta à Capital gaúcha, em 78, ele retorna ao Atelier Livre da Prefeitura e realiza suas primeiras exposições.
À sua trajetória somam-se várias exposições em centros culturais e importantes galerias de arte. Destaca-se em sua carreira, premiações em diversos salões de arte, onde suas obras fazem parte do acervo. Seus trabalhos, hoje, estão expostos em museus e coleções particulares em vários países, sendo seu nome relacionado em diversas publicações de Artes Plásticas
Sobre sua obra, comentaram:
"Suas terracotas recordam o gesto primordial da criação quando a água e o espírito se associaram ao pó, dando-lhes a vida".
Armindo Trevisam
"Um trabalho humilde e duro, incansável, buscando descobrir nas pessoas alguma coisa que os outros não enxergam".
Josué Guimarães.
"Só uma mente sofisticada, no comando de talento incomum conceberia esta mescla de simplicidade e ironia, do simples e do sugestivo, que existe em cada objeto mulher do Maia".
Luiz Fernando Veríssimo
"Como em Di Cavalcanti, temos aqui uma arte essencialmente brasileira, o que o torna ainda mais próximo de nossos sentimentos e emoções".
Moacir Scliar
Cavalos em Terracota
Exposição: 14 a 30 de abril 2009, de segunda a sexta-feira, das 09h às 19h, e aos sábados das 10 às 13h
Local: Galeria Paulo Capelari
Endereço: Rua Visconde do Rio Branco, 691 - Porto Alegre - RS
Telefone: (51) 3312-8558
Informações:
paulocapelari@hotmail.com - www.paulocapelari.com.br