Alexandre Vogler, Leonardo Videla, Roosivelt Pinheiro
e Suely Farhi
4x40 MÚLTIPLOS
Galeria ARTE EM DOBRO
Abertura: sábado, 31 de julho, às
16h
Até 28 de agosto de 2004
Segunda a sexta, das 10 às 19h, e sábado,
das 14 às 18h
Entrada franca
A galeria Arte em Dobro inaugura, sábado,
31 de julho, às 16h, a coletiva "4x40
MÚLTIPLOS" que reúne quatro
artistas da geração 2000, que
decidiram, cada um criar uma obra inédita
para serializá-las em 40 múltiplos.
O texto de apresentação é
de Marisa Flórido.
O artista plástico Leonardo Videla propôs
às galeristas Luciana Caravello e Cristina
Magalhães Pinto a idéia de realizarem
uma exposição que tivesse trabalhos
acessíveis a novos colecionadores de
arte contemporânea. Proposta aceita pela
Arte em Dobro, Videla convidou Roosivelt Pinheiro,
Alexandre Vogler e Suely Farhi para completar
o quarteto.
As peças criadas especialmente para
a exposição são um desdobramento
de projetos recentes dentro da produção
de cada um. Esta produção, até
agora, praticamente só mostrada em salões
de arte, instituições públicas
chega a um espaço comercial. Fazendo-se
a multiplicação do título
da mostra, chega-se ao valor de um múltiplo:
R$ 160,00. Cada um será acompanhado de
certificado numerado e assinado e do currículo
do artista.
Em 2002, no mesmo dia em que a governadora
Benedita da Silva lançou o dirigível
"Olho no céu", Alexandre Vogler
apresentou a sua versão no Castelinho
do Flamengo. Intitulado "Dirigível
OLHO GRANDE", um vídeo mostrava
o zepelin preto de cinco metros com um olho
grande desenhado, no ar, enquanto o locutor
de um telejornal local era dublado pela voz
do artista. Era uma alegoria ao monitoramento
do cidadão, como são as câmeras
de segurança e o pedido de dados pessoais
a cada lugar que se vai.

Alexandre Vogler
"Projeto de guarda municipal do programa
Olho Grande", 2004
serigrafia sobre plástico,
70 cm de altura
Agora, num segundo passo do projeto, Vogler
criou o "Projeto de Guarda Municipal do
Programa Olho Grande". É um joão-bobo
de plástico preto com um olho serigrafado,
com 70 cm de altura.
O artista vai levar este joão-bobo a
interargir com os camelôs do centro do
Rio. Esta experiência vai ser gravada
e o vídeo será mostrado na exposição.
Vogler cria factóides como uma "alegoria
aos sistemas de segurança", como
ele define.

Leonardo Videla
"Apartamento tipo caixa", 2003
papelão, 25 cm de lado
Leonardo Videla, nascido no Ceará e criado
no Rio, mostra a escultura móvel "Apartamento
tipo caixa", um cubo de 25cm de lado de
papelão liso e grosso, em que as quatro
faces são vazadas com linhas que reproduzem
a planta baixa de um apartamento. A caixa aberta
é uma planta de design - a da própria
caixa - que contém outra planta desenhada
pelo artista - a da unidade residencial.
A peça é o projeto de planos
que se transformam em volume: o da caixa é
imediato; o do apartamento é posterior.
A caixa fechada é volume da sua própria
planta, assim como o desenho do apartamento
será volume quando se transformar em
imóvel.
Este trabalho tem relação direta
com o exposto na galeria Antonio Bernardo recentemente,
onde Videla aplicou placas de acrílico
que reproduziam plantas arquitetônicas
de imóveis sobre tela de linho.

Roosivelt Pinheiro
"MAZRIO", 2003
Técn. mista sobre lona
30 cm de lado
Roosivelt Pinheiro, amazonense radicado no Rio,
apresenta fragmentos modulares de pintura, em
conjuntos de três elementos, intitulados
"MAZRIO" (uma das possibilidades de
dispor as letras do substantivo RIZOMA), a partir
do estudo "Desejos em Rede", que desde
2001 já teve várias versões.
O artista fragmentou em losangos de 30 cm de
lado pinturas sobre tela que já tinha
e uniu-as por ilhoses e parafusos. Cada um pode
montar a sua versão.
Os losangos podem ser a frente ou o verso da
tela pintada com imagens e escritas. Em alguns
casos Roosivelt pinta o verso da lona. Ele produziu
120 losangos, em que cada três, no mínimo,
formam um módulo. O interessado pode
adquirir mais de um módulo e dispô-los
a bel prazer.
"Desejos em rede" é um estudo
que o artista desenvolve e apresenta desde 2001
em concepções diversas,desde pinturas
bidimensionais a instalações,
como os trabalhos com os quais participou do
Itaú Rumos Visuais 2001|03 e do Salão
da Bahia, em 2003|04. A palavra rede remete
tanto a redes tecidas e de tecer quanto a redes
virtuais.

Suely Farhi
"Tecnologia de ponta", 2003
estojo de jóias e lápis
"Tecnologia de ponta", de Suely Farhi,
é um lápis preto, dos mais corriqueiros,
colocado dentro de um estojo de jóias.
A artista aponta com estilete o lápis
de forma a lhe conferir uma aparência
repuxada, alongando o grafite e a madeira crua,
deixando ficar apenas um cotoco da parte preta
do objeto, no qual não dá para
segurar.
Farhi propõe a transgressão de
propriedade de escrever em razão do tamanho
da ponta do lápis; transgride também
na propriedade física da madeira, de
rigidez por princípio, por dar-lhe a
aparência de estar 'esticada', de ser
elástica; o ato compulsivo e repetitivo
de fazer a imensa ponta naquele objeto utilitário,
tira-lhe a função primeira e o
leva à categoria estética.
Dentro do estojo que abriga o lápis
transformado há o aviso "Perigo!
Atenção!!! Não toque!!!!".
O tom de que o objeto é "perigoso"
decorre do abuso na transformação
de sua estrutura que o torna "frágil".
Um vídeo da feitura dos 40 múltiplos
pela própria artista também faz
parte da mostra.
Suely Farhi trabalha há algum tempo
com objetos que deixam rastro, como lápis,
pena, tesoura, faca, pincel. Em "Tecnologia
de ponta", o lápis não deixa
rastro.
"4x40 MÚLTIPLOS" está
aberta ao público até 28 de agosto,
de segunda a sexta, das 10 às 19h, e
sábado, das 14 às 18h. Entrada
franca.
ARTE EM DOBRO
Rua Dias Ferreira 417|205
Leblon-RJ
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