EXPOSIÇÕES
 
Luz, cor e muito bom humor!

Umberto França abre exposições simultâneas no Museu Nacional de Belas Artes e na Patrícia Costa Galeria de Arte


Personagens XIX - Umberto França - foto de Jorge Vasconcelos

As telas são enormes e multicoloridas. Esbanjam luminosidade e humor. Os traços ágeis evocam movimento e as figuras que emergem do jogo de luz e cor lembram, em muitos momentos, personagens de cartoon. Umberto França é definitivamente um artista pop. Um dos mais importantes pintores brasileiros de sua geração, ele mostra trabalhos inéditos em duas exposições que ficarão em cartaz simultaneamente no Rio. A primeira será inaugurada no dia 18 de novembro, às 18h, no Museu Nacional de Belas Artes, no Centro, e a segunda abre no dia seguinte (19), às 11h, na recém-inaugurada Patrícia Costa Galeria de Arte, no Shopping Cassino Atlântico, em Copacabana.

Nas salas Ubi Bava e Chaves Pinheiro, no MNBA, o pintor exibirá, até o dia 4 de janeiro, 17 telas em formatos que variam entre 345x190cm e 190x115cm. Na mostra do Shopping Cassino Atlântico, que fica aberta até final de novembro, Umberto França reúne 10 telas em grandes formatos, que variam entre 260x190cm e 80x65cm. A última mostra do artista foi em 2002, na galeria Bert Sijben, em Amsterdã (Holanda), cidade onde ele se formou e construiu sua carreira.

Umberto França utiliza em todos os seus trabalhos a técnica de têmpera, muito pouco difundida no Brasil, mas que o acompanha desde os anos 70 quando cursou a holandesa Rietveld Academie de Amsterdã, na cidade onde viveu entre 1971 e 1981. “Trabalho com têmpera de última geração que utiliza pigmentos químicos novos no mercado, com diferentes brilhos, tons metálicos e fluorescências”, explica o artista.

O colorido de luminosidade intensa da têmpera faz contraponto com o branco que sempre desempenhou papel fundamental na obra do artista. “Para mim o branco é um elemento importante, muitas vezes o principal dado dentro do quadro. Não representa somente uma área vazia. Essa série é um aprofundamento sobre a função ativa desta cor dentro da tela”, diz o artista.

A informática também teve papel importante na realização dos novos trabalhos. Durante mais de um ano, Umberto criou com o programa paint brush mais de mil figuras de formas exuberantes e coloridas que serviram de inspiração para os personagens gigantes que tomam conta das suas telas. “A idéia sempre foi transpor o desenho de humor para o universo das artes plásticas”, explica o artista.

O resultado, segundo Ferreira Gullar, são telas que fazem com que o espectador interaja com elas. “Não é uma pintura de contemplação, mas de participação. Não tem subjetividade, nostalgia, memória: é toda presente. Está toda à mostra na superfície que o olho capta sem deixar sobras. Uma festa da qual somos levados a participar alegremente”, diz o crítico e poeta.

Sobre a carreira do artista

De natureza inquieta e criativa e influenciado pelo universo barroco de sua terra natal, Sabará, Umberto começou a pintar ainda criança. Quando jovem já dava aulas de pintura. Daí a necessidade de investigar técnicas diferentes que desenvolve até hoje, como pintura, tapeçaria, escultura e gravura. Ele chegou na Holanda com 21 anos e cursou Belas Artes pela Rietveld Academie de Amsterdã, onde foi professor por quatro anos depois de completar o mestrado de pedagogia. O pintor também deu aulas no atelier do Museu Van Gogh e no Instituto Werk Schuit.

Durante os dez anos em que viveu na Holanda, Umberto trabalhou em hospitais psiquiátricos, como arte terapeuta, o que valeu sua legalização no país. Requisitado pelo Ministério da Cultura holandês trabalhou na assistência a refugiados políticos latinos americanos por mais de quatro anos. Foi o único estrangeiro a participar do grupo de artistas beneficiados pelo projeto B.K.R. (Beeldende Kunstermaars Regeling – acordo de artistas plásticos visuais) bancado pelo governo que comprava as obras e as expunha nas Artotecas (Bibliotecas de Arte). “Quando fui para o exterior queria me enriquecer com elementos de uma cultura diversa. Estava alucinado pela Renascença e pintava com lupa, fazia um hiper-realismo. Mas quando dominei essa técnica comecei a deformar, a estilizar até chegar a um minimalismo”, lembra.

Artista multidisciplinar, ele conta que ao dividir com os outros a experiência e a formação adquiridas em sua arte, desenvolveu uma pedagogia própria, onde evidencia a prática artística como instrumento educativo, terapêutico e social. Assim, atua como professor, curador e também monitor de importantes exposições como a Bienal de São Paulo. Umberto também coordena diversos projetos, dentre os quais viagens que promove para Minas Gerais com pessoas de diferentes profissões para coleta de pigmentos naturais.

Sua extensa produção está espalhada pelo mundo. Em museus de Amsterdã, Santiago do Chile, Dinamarca, Inglaterra, França, Bélgica, Estados Unidos e Brasil. “Toda a minha obra é criada a partir de três fontes inspiradoras: os universos infantil, indígena e inconsciente”, resume.

Serviço:

Museu Nacional de Belas Artes
Abertura: 18 de novembro, às 18h. Até 4 de janeiro
Horários: terça a sexta, das 10 às 18h/ sábado e domingo, das 14 às 18h.
Local: Salas Ubi Bava e Chaves Pinheiro - Av. Rio Branco, 199, Centro, tel. 21-2240-0068
Entrada: R$ 4,00. Domingo: entrada franca

Patrícia Costa Galeria de Arte
Abertura: 19 de novembro a partir das 11h. Até 30 de novembro.
Horário: de segunda a sexta, das 11 às 20hs, Sábado, das 12 às 19hs
Local: Av. Atlântica 4240 Loja 226 (Shoppping Cassino Atlântico). Tel. 21-2227.6929
Entrada franca

12/11/2003