Manual do Mercado de Arte 2
No princípio, era uma idéia
Diante da absoluta inexistência de bibliografia sobre mercado de arte, consolidei no Manual do Mercado de Arte, editado em 1999 pela Júlio Louzada Publicações / SP, as minhas experiências, adquiridas na orientação de mercado a colecionadores, artistas plásticos e demais profissionais do setor ao longo desses anos de profissão. Até hoje, em 2006, o MMA continua solitário na orientação daqueles que querem ficar a par dos trâmites do mercado de arte.
A idéia se cristalizou por ocasião do convite que recebi para fazer uma palestra sobre mercado de arte, no IV Encontro com as Artes Plásticas, promovido pela Associação dos Artistas Plásticos de Santa Maria, da hospitaleira cidade que lhe empresta o nome – a cidade universitária do Rio Grande do Sul. Na época, em 1995, ao receber o convite da minha amiga Marília Chartune, então presidente daquela atuante associação, percebi que não tínhamos sequer um livro que proporcionasse orientação direta sobre mercado de arte.
Lá, encontrei uma platéia culta de diplomados em belas-artes, muitos pós-graduados, profundos conhecedores de arte, e uma grande quantidade de artistas com invejável talento, podendo, sem nenhum favor, fazer sucesso em qualquer lugar. Contudo, como estavam a 290 quilômetros de Porto Alegre e a cerca de 1.800 quilômetros do eixo Rio-São Paulo, os artistas que lá encontrei tinham pouco conhecimento das regras de mercado e uma relativa dificuldade de colocação de suas obras. Mesmo assim, a distância em questão não impediu que Iberê Camargo (1914-1994), nascido em Restinga Seca, cidade gaúcha bem próxima a Santa Maria, onde residiu por muito tempo, aparecesse no cenário artístico nacional. Porém, é bom que se diga, só consolidou mercado depois de se radicar em Porto Alegre, mantendo também residência no Rio de Janeiro.
Fiquei imaginando as dificuldades dos artistas das cidades do interior do país. Se para os novos valores das capitais, que têm estreito contato com o mercado de arte, as dificuldades já são grandes, imaginem as daqueles que estão em uma cidade típica do interior, longe do mercado e sem sequer um livro que lhes fale a respeito. Assim, comecei a rabiscar os planos para escrever o Manual do Mercado de Arte, hoje com edição definitivamente esgotada, agora que foi substituído pelo MMA2, reunindo normas de procedimentos profissionais que, seguidas à risca, poderão - a médio e longo prazo - ajudar a resolver o principal problema dos que se iniciam na árdua e difícil empreitada de produzir arte: a dificuldade de comercializar suas obras.
Durante a elaboração do MMA, percebi que outros profissionais do mercado de arte e os colecionadores - mormente os iniciantes - também se interessavam pela matéria. Então, decidi tornar a abordagem mais ampla, contemplando o mercado como um todo. Minha intenção com o MMA foi mostrar o mercado de arte de forma abrangente, objetiva, completa, mas de nenhuma forma hermética; pelo contrário, passei uma visão prática, sem tecnicismo de qualquer ordem - o mesmo ocorre com o MMA2.
Quando o leitor tiver a facilidade de consultar bibliografia pertinente ao assunto de que se estiver tratando, procurarei ser rápido e direto; de vez que, se ele mostrar um maior interesse, terá como se aprofundar no tema. Entretanto, nos assuntos sobre os quais não se dispõe de literatura, ou aqueles que demandaram um maior tempo de pesquisa, procurei ser o mais informativo possível. Àqueles assuntos que, até por sua natureza, são dinâmicos, darei apenas os caminhos a serem percorridos. É o caso do balizamento jurídico, que sempre vai exigir uma consulta a seu advogado, que, diante do fato concreto e das leis atualizadas pertinentes, sempre terão como dar o melhor encaminhamento jurídico ao seu problema.
Como no MMA, também no MMA2 o leitor não encontrará fotos de obras de arte - como gostaria. Por uma questão de princípios, não seria justo o MMA2 dar mídia a alguns artistas plásticos em atividade, em detrimento dos demais. Essa filosofia será notada em todo o manual, abrindo-se raras exceções de contexto. Os artistas falecidos, infelizmente, também não terão as suas obras reproduzidas, tendo-se em vista os rigores da Lei 9.610 de 19/2/98. É que fica muito trabalhoso se saber, com segurança, quem são os detentores dos direitos patrimoniais sobre as diversas obras. Já no que toca às obras dos artistas falecidos há mais de 70 anos, que são de domínio público, não são adequadas, a meu ver, ao contexto deste manual.
Aconselho a leitura seqüencial deste manual; porém, como aconteceu no MMA, tenho a pretensão de que ele também venha a se tornar o novo vade-mécum do mercado de arte, uma fonte de consulta diária, por assuntos. Assim, a função dele não se exaure com a sua primeira leitura, pois, tenham a certeza de que continuará a ser útil no dia-a-dia dos profissionais do mercado e colecionadores. A proposta é que este manual se constitua em uma bússola, que indique o caminho das pedras; é deixar os interessados por dentro das regras do jogo, sem lhes sonegar o pulo do gato; é deixar o mercado de arte, realmente, ao alcance de todos.
