Crônicas do Cotidiano

De pai para filho

                                        João Carlos Lopes dos Santos

Um dos meus dois filhos, Carlos Eduardo, quando tinha uns 22 anos, me fez uma consulta técnica sobre mercado de arte através do www.consultarte.com. E eu lhe respondi:

Cadu, chistes à parte, muito obrigado pela sua consulta. Decerto, o melhor conselheiro de um filho sempre será o seu pai. Mãe, nem tanto, pois, ao que me parece, demonstra mais preocupação com as coisas do momento, passageiras e muitas vezes supérfluas, tais como: se roupinha está amassada, se comeu lanchinho todo, se está com tosse, se ralou o joelhinho na escola...

Mãe é do ‘lap’, do colo, do remanso. Pai é diferente, é do ‘over laping’, do lance futuro... Mãe também se preocupa com isso, mas o pai estará sempre ligado no futuro dos filhos.

Pai que é pai não adota como filosofia dar o peixe, mas sim a de ensinar ao filho a fazer a rede, a pescá-lo e até a prepará-lo para comer.

Pai nunca pretende ser muleta de filho – malgrado, se necessário, se predisponha a isso –, quer vê-lo sempre recordista mundial dos 100 metros com barreiras, posto que na vida, meu filho, não há 100 metros rasos... Pai quer sempre ver os filhos recordistas das maratonas diárias da vida.

Aliás, mãe e pai, por caminhos diferentes e complementares, têm só um objetivo: a vitória dos filhos, posto que, neste contexto, seja também a vitória deles.

Basicamente, pai se preocupa com duas coisas na vida do filho: dar a ele uma boa formação cultural e colocar uma pitada de dificuldade na vida dele, isso se a própria vida não se encarregar de fazê-lo. Como já deixei nas entrelinhas, meu filho, a vida real é uma corrida de obstáculos e não tem ‘mamãezadas’. Viver é competir.

Falo com a minha própria experiência, mãe é para reconhecimento instantâneo, pai é para sentir saudades no futuro.

Se você me fez uma consulta, mesmo brincando, é porque deve estar querendo um conselho, mas como nessas coisas pai não economiza lhe darei dois:

Acredito nos meus dois filhos, simplesmente, porque eles têm berço e aí a mãe é fundamental. Creio que seja por aí.

Um beijão do seu pai – "embora isso seja coisa de mãe".


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