Crônicas do Cotidiano
As mulheres das décadas de 1950/60
João Carlos Lopes dos Santos
ão de beleza da época. Mas as mulheres interessantes das décadas de 1950/60 eram interessantes demais...
Na passagem do Século XIX para o XX, as mulheres eram de uma palidez mórbida. Estávamos no auge do Romantismo, movimento presente em todas as manifestações artísticas e, mormente, na literatura.
O padrão de beleza da sobredita época exigia que as mulheres tivessem uma pele branca – daí o uso inseparável das sombrinhas – e, por mais incrível que lhe possa parecer, o fato de a mulher ter uma aparência tísica enchia os homens de tesão. Esse era o padrão de beleza dominante de então. Até a década de 1930, eram comuns as grandes paixões envolvendo pessoas tuberculosas. Aliás, nessa época, por conta da tuberculose a expectativa de vida das pessoas era algo em torno de 35 anos. Olavo Bilac e Noel Rosa, entre outros, morreram ali pelos 28 anos de idade...
Já nos anos 1940, mesmo sendo a época das gorduchas – quando, ao que me parece, se comia muito para evitar a tuberculose –, a expectativa de vida era de 45 anos. Assim, uma mulher de 40, chamada pejorativamente de quarentona, era considerada uma senhora de provecta idade. O que hoje, decerto, soa como um monumental absurdo.
Na década de 1940, ainda se morria de tuberculose, febre amarela, apendicite, tifo e vai por aí...
Hoje, início do Século XXI, a expectativa de vida no sudoeste brasileiro está chegando bem acima dos 70 anos e, no sul do país, a coisa já anda ali pelos 80 anos... Bem, mas esse não é o assunto.
Ainda encontramos mulheres, poucas e me parece em extinção, que fazem parte do time (team) ou do time (tempo) das mulheres das décadas de 50/60, quando eram naturalmente bonitas, coradas ou bronzeadas, de cintura fina, pernas carnudas e bunda farta, as chamadas mulheres confortáveis. As mulheres da metade do Século XX não precisavam, sequer, de ginástica para serem bonitas e interessantes.
Até 1970, se comia – falo de comida mesmo – bem melhor do que hoje, com mais qualidade nutricional, e também se andava muito. Mesmo nas capitais dos estados, o uso do automóvel era ainda raro e não se tinha o que comer na rua, à exceção dos raros restaurantes, que, mesmo assim, fechavam às 22 horas. Não havia fast food e, a rigor, ninguém comia bobagens na rua.
Em comparação com aquela época, atualmente se anda muito pouco, se come muito mal e, assim, se procura corrigir tais erros nas academias de ginástica e nos vários processos de plásticas corporais. Hoje, ainda há mulheres interessantes, porém, em se comparando com as aqui em destaque, um pouco duras e artificiais.
Fica, pois, o registro do meu testemunho e, para as mulheres do Século XXI, uma reflexão.
Observação: esta crônica foi escrita em 2002.
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