Crônicas do Cotidiano
Aos desistentes, o bambu chinês
A história do bambu chinês, decerto, é muito conhecida. Ela serve para reflexão, mormente àqueles que querem fazer do imediatismo a mola propulsora de suas vidas.
Em síntese
O bambu chinês, durante os seus cinco primeiros anos de vida, tem apenas crescimento subterrâneo, invisível para os olhos. Após, ele aflora e cresce até atingir a altura de 25 metros, ficando resistente a todo tipo de intempéries. Sobre isso um escritor chamado Covey registrou:
"Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará, e, com ele, virão um crescimento e mudanças que jamais esperava. O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos..."
Vale a pena conhecer, na íntegra, a história do "Bambu Chinês". Procure-a, acessando o seu buscador preferido na Internet.
Marcos tinha um sonho
O texto nos reporta ao sucesso de muitas pessoas que conhecemos, em várias áreas de atuação profissional. Pessoas que, aparentemente, tinham tudo para dar errado na vida, mas acabaram atingindo os mais altos patamares do sucesso. Preferiram acreditar mais nos seus sonhos do que nos conselhos recebidos - ainda que muitas vezes lógicos e dados por pessoas bem intencionadas. Crendo em si, deram foco, foram fundo e cristalizaram os seus sonhos.
Poderia contar histórias de esforçados e talentosos artistas, de estudantes, de profissionais de atividades atípicas, mas vou lhes dar um só exemplo de persistência, paciência e de pessoa que acreditou no seu próprio taco e deu foco absoluto ao seu objetivo.
Vou lhes contar a história de Marcos Evangelista de Morais, paulistano, nascido em 1970, que tinha um sonho na vida: ser jogador de futebol.
Menino ainda, diariamente, Marcos saía atrás das chamadas "peneiras do futebol" da Grande São Paulo, em busca da cristalização do seu sonho, mas era sistematicamente cortado ou barrado, com o convite para que não voltasse no dia seguinte.
A «mea culpa» do olheiro
Em depoimento a um programa de televisão, o "olheiro da peneira" – não lembro o nome dele –, hoje aposentado, fez o seu "mea culpa". Na década de 80, era ele quem promovia as mais importantes "peneiras" da Grande São Paulo.
Resumindo, foi ele o responsável por inúmeras dispensas do garoto Marcos em suas "peneiras", até que um dia ele tirou o Marcos da fila de inscrição para uma conversa séria.
Disse ele ao garoto: "Marcos, meu filho, você é um bom menino, aplicado, esforçado, muito educado e saiba que eu gosto muito de você. Por tudo isso, vou lhe dar um conselho. Já o cortei para mais de dez vezes das minhas "peneiras" e você ainda insiste... Vai estudar, meu filho, você não dá para isso. Futebol é para poucos. Do jeito que a coisa vai, se você não estudar, o que será do seu futuro? Vai estudar, Marcos."
Em tenra idade, iniciou sua carreira no Itaquaquecetuba, do interior de São Paulo. Mas sempre sonhou jogar num time grande. Fez oito testes no São Paulo Futebol Clube e oito vezes foi recusado. Na nona vez, foi aprovado para as divisões de base.
Muito rapidamente, chegou ao time titular do São Paulo F.C. e aos vinte anos de idade foi convocado pela primeira vez - pelo técnico Paulo Roberto Falcão - para a Seleção Brasileira e, a partir daí, virou hábito vestir a amarelinha.
Mesmo assim, as críticas não pararam. No início de sua carreira no São Paulo F.C., jogando sob a batuta de Telê Santana, seu mestre e incentivador, mesmo colecionando títulos, muitas vezes amargou a incompreensão e críticas da torcida e da imprensa. As críticas só atenuaram em 1994, depois que foi campeão na Copa do Mundo, nos Estados Unidos. As críticas atenuaram, mas não pararam, posto que persistem até hoje; mas vamos pular essa parte...
Um colecionador de títulos
Encurtando a história mais ainda, Marcos foi campeão paulista de 1989, 1991 e 1992; campeão brasileiro de 1991; bi-campeão da Taça Libertadores da América em 1992/3; bi-campeão mundial interclube em 1992/3; campeão da Supercopa das Libertadores da América em 1993; bi-campeão da Recopa Sul-americana em 1993/94, até esse momento jogando pelo São Paulo Futebol Clube.
Depois, uma rápida passagem pelo Zaragoza, da Espanha, onde teve tempo de ser campeão da Recopa Européia, em 1995; depois, uma meteórica passagem pelo Juventude-RS, a caminho do Palmeiras-SP. Neste, em 1996, foi novamente campeão paulista e vice da Copa Brasil, jogando pelo Palmeiras.
Jogando pelo Roma, da Itália, recebeu o scudetto de campeão italiano da temporada 2000/2001. Em 2003, se transferiu para o Milan e ganhou outro scudetto na temporada 2003/2004. Vocês não têm idéia do que seja, para os jogadores que jogam na Itália, ganhar dois scudettos...
Em maio de 2006, um mês antes de completar 36 anos – nasceu em 7/6/1970 – esbanjando talento e uma força física invejável foi convocado pelo técnico Carlos Alberto Parreira para disputar sua quarta Copa do Mundo, a da Alemanha. Marcos é o atleta recordista em convocações e atuações pela Seleção Brasileira: já foi convocado 182 vezes e jogou 150 partidas com a camisa da CBF. Com 20 partidas também é o recordista brasileiro em jogos da Copa do Mundo. Cristaliza outro recorde: 16 vitórias em jogos disputados em Copas do Mundo. Foi por duas vezes campeão mundial, em 1994 e 2002, o que o coloca no seleto grupo dos jogadores que conseguiram ser duas vezes campeões mundiais entre seleções. Mais um recorde: em 2006, comemorou seu décimo sexto ano como jogador da Seleção Brasileira, superando Pelé que nela jogou por 14 anos. Titular absoluto da Seleção Brasileira a partir da final da Copa de 1994 é detentor de um recorde mundial: foi o único jogador que disputou, consecutivamente, três finais de Copa do Mundo. Tudo isso pode ser verificado no website da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Mas quem é esse Marcos?
É o jogador de futebol que mais conseguiu títulos importantes no cenário internacional e, na mesma proporção, o que mais recebeu incompreensões e críticas em sua terra natal. Hoje, radicado na Itália, sem se esquecer de fazer filantropia no Brasil, depois de atuar na equipe da Roma, onde se sagrou campeão italiano, foi para o poderoso Milan e lá obteve mais um scudetto. Marcos é um atleta-referência do futebol internacional, mormente, pelo caráter, profissionalismo e inquestionável persistência que imprime em tudo que faz. Você ainda não sabe de quem se trata? Você já ouviu falar do Cafu? O capitão da Seleção Brasileira que levantou a Copa do Mundo no Japão. Faça, então, como ele, não se abata com o que dizem os críticos sempre de plantão e tenha em mente esta verdade axiomática: a primeira pessoa que deve acreditar em você é você mesmo. Jamais espere o reconhecimento alheio. Quem acredita em si tem maiores chances de se tornar um vencedor.
João Carlos Lopes dos Santos
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