Acompanhando o Mercado

Que obras de arte devo comprar? De que artistas plásticos?

Freqüentemente, esta pergunta me é formulada. Abordei o assunto no capítulo 25 do Manual do Mercado de Arte, quando tratei da arte como investimento. Assim, transcreverei parte daquele capítulo - escrito em 10 de junho de 1997 - que, como um todo, ainda não perdeu a atualidade. Destaco, então, naquele capítulo, o tópico onde respondo:

O que devo comprar para a minha parede?

Deixei passar alguns dias após o feérico leilão da Bolsa de Arte, a fim de que meus comentários não ficassem comprometidos pelo impacto do evento. Sinceramente, fiquei impactado com a demonstração de pujança que deu o nosso mercado de arte.

Com esse memorável leilão - realizado em 21/5/97 - por força da competência da sua equipe e por sua coragem empresarial, a Bolsa de Arte se consolidou como a instituição emblemática do nosso mercado, merecendo de forma inconteste o reconhecimento que desfruta.

Desta vez, não vou informar os preços do leilão. A mídia se encarregou de publicá-los sobejamente. Caso necessitem saber algum preço, tenho os preços de venda dos principais leilões de arte do Brasil nos últimos 15 anos. Às vezes, demanda uma pesquisa mais demorada, mas estarei sempre à disposição.

Nesta oportunidade, destacarei apenas uma das vendas do sobredito leilão para, exemplificando, responder uma pergunta que muitos me fazem: O que devo comprar para a minha parede? Respondo: o quadro que você e a maioria das pessoas gostam...

Mas vamos ao quadro que destaquei; refiro-me ao lote 55 do leilão, o quadro intitulado "Banho de Luz" de Georgina de Albuquerque (1885-1956), óleo sobre tela, medindo 64x50 cm., que ganhou "Pequena Medalha de Ouro" no Primeiro Salão Paulista de Belas Artes, arrematado por R$ 75 mil (US$ 70.231,29), super recorde para as telas da artista. Isto sempre acontece quando o quadro alcança a unanimidade de opiniões, no que tange à sua beleza e qualidade.

Quadro bem comprado, independentemente de quem o assina, é mais fácil de revender tempos depois e também é um dos raros objetos que se pode auferir lucro com a revenda.

Procuro sempre dissuadir as pessoas quando dizem: "Não compro quadro para vender, compro o que gosto e não me interessa a opinião dos outros".

Concordo que se deva comprar só a pintura que se gosta, seja qual for o seu valor, mas sempre em consonância com as normas do mercado de arte, pois um dia, fatalmente, até por uma simples mudança de decoração, haverá de se procurar um novo dono para o quadro. Aí, nesse momento, a opinião dos outros sobre o quadro é muito importante...

Há que se ter sempre o cuidado, ao se comprar uma obra de arte, de se saber o seu preço real de mercado, onde aquele artista tem mercado e qual o seu grau de liquidez. Isso é fundamental. As pessoas quando compram um quadro, seja qual for o seu valor, nunca pensam que um dia poderão necessitar de vendê-lo e aí se arrependem de não terem se assessorado.

Portanto, ao comprar uma obra de arte procure, pelo menos, conversar com um amigo iniciado em mercado e, por certo, ele lhe falará de procedência, autenticidade, qualidade, do preço justo de mercado, onde ela tem mercado e onde tem maior liquidez.

João Carlos Lopes dos Santos
Autor do Manual do Mercado de Arte Júlio Louzada Publicações - SP
Tel.: (55 - 21) 3325-1500, 3325-8641 e 9984-6846
www.pitoresco.com/consultoria e www.consultarte.com


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